As famílias brasileiras de renda mais baixa sentiram com mais intensidade os efeitos da inflação no mês de abril, segundo levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. O estudo mostra que, apesar da desaceleração do índice oficial da inflação no país, o custo de vida continuou pressionando principalmente quem possui menor poder aquisitivo.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, ficou em 0,67% em abril. No entanto, entre as famílias com renda mensal inferior a R$ 2.299,82, a inflação subiu de 0,85% em março para 0,92% em abril.
Já entre as famílias consideradas de renda alta, com rendimento mensal acima de R$ 22.998,22, a inflação registrada no período foi de apenas 0,24%, percentual quase quatro vezes menor que o enfrentado pela população mais pobre.
Segundo o Ipea, os principais fatores que pressionaram o orçamento das famílias de baixa renda foram os reajustes na energia elétrica e nos produtos farmacêuticos. Os aumentos nesses setores afetaram diretamente despesas consideradas essenciais dentro do orçamento doméstico.
Por outro lado, famílias de renda mais elevada tiveram impacto menor porque foram beneficiadas pela redução de custos em áreas como transportes, especialmente em passagens aéreas e serviços de transporte por aplicativo.
Apesar da diferença registrada em abril, o levantamento mostra que, no acumulado dos últimos 12 meses, as famílias de renda muito baixa ainda apresentam trajetória inflacionária mais moderada em comparação com outras faixas de renda.

