A Faculdade de Medicina realiza, nesta quinta-feira (29), um mutirão gratuito de orientação sobre hanseníase. A ação ocorre das 9h às 16h, no Ambulatório Geral de Especialidades do Hospital de Base, com entrada pela rampa da avenida Brigadeiro Faria Lima.

A iniciativa faz parte das atividades em alusão ao Dia Mundial da Hanseníase, dia 25 de janeiro, e será conduzida por médicos residentes, estudantes da Famerp e integrantes da Liga de Dermatologia, com supervisão de especialistas da área.
Segundo o professor emérito da Famerp e dermatologista João Roberto Antonio, chefe da disciplina, o principal objetivo é facilitar o acesso da população à informação. “A hanseníase é uma doença antiga, mas ainda muito presente. Tem tratamento, tem cura, e o diagnóstico precoce evita sequelas e interrompe a transmissão”, explicou.
Apesar dos avanços médicos, o Brasil ainda ocupa posição preocupante no cenário mundial. O país é o segundo com maior número absoluto de casos de hanseníase no mundo, atrás apenas da Índia, e concentra 92% das notificações registradas nas Américas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2024, foram registrados 172.717 novos casos da doença em todo o mundo.
A Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) destaca que, embora esteja em segundo lugar em número total de casos, o Brasil lidera o ranking mundial de taxa de detecção, indicador considerado essencial para o diagnóstico precoce, tratamento adequado e interrupção da cadeia de transmissão.
A hanseníase é causada pelo bacilo Mycobacterium leprae e afeta principalmente a pele e os nervos periféricos. Os sinais iniciais incluem manchas claras ou avermelhadas na pele, com diminuição ou perda da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato. Como essas lesões geralmente não doem nem coçam, muitas pessoas acabam ignorando os sintomas, o que atrasa o diagnóstico.
A aposentada Conceição Aparecida Garcia de Souza, de 82 anos, moradora de Palestina, descobriu a doença em setembro do ano passado. Ela relata que acordou com o rosto inchado e arroxeado, acompanhado de febre alta, mas sem dor. Após passar por atendimento na unidade básica de saúde e não apresentar melhora, foi encaminhada ao Hospital de Base, onde ficou internada por seis dias até a confirmação do diagnóstico por biópsia.
Além do impacto físico, o diagnóstico trouxe medo e insegurança. “Eu lembrava do que meus avós falavam, que antigamente as pessoas eram isoladas”, contou. Após iniciar o tratamento, as lesões regrediram e Conceição retomou a rotina normal. Hoje, ela recebe mensalmente a medicação gratuita pelo SUS e afirma que o tratamento devolveu sua tranquilidade e autoestima.
A dermatologista Fernanda Mattar, responsável pelo ambulatório de hanseníase da Funfarme/Hospital de Base, explica que muitos pacientes chegam encaminhados das unidades básicas de saúde. “Aqui, conseguimos oferecer acompanhamento contínuo e exames de média e alta complexidade, garantindo um cuidado mais completo”, afirmou.
O ambulatório é referência para pacientes de 102 municípios da área da DRS-15. Somente em 2023, foram atendidos 237 pacientes. Para a especialista, ações como o mutirão são essenciais para combater o estigma. “Quando a população entende que a hanseníase tem tratamento e cura, o medo diminui e o diagnóstico acontece mais cedo”, concluiu.
O tratamento da hanseníase é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Poucos dias após o início da medicação, o paciente deixa de transmitir a doença, reforçando a importância da informação e do acesso ao atendimento.

