A morte do norte-americano Alex Pretti, de 37 anos, no último sábado (24), em Minneapolis, provocou uma onda de críticas ao governo dos Estados Unidos e às ações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). As reações vieram não só da oposição democrata, mas também de integrantes do próprio Partido Republicano do presidente Donald Trump.
Dois ex-presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama e Bill Clinton, se manifestaram publicamente e criticaram com dureza a atuação dos agentes federais de imigração em Minneapolis e em outras cidades do país.
Em nota, Bill Clinton afirmou que as cenas registradas nas últimas semanas são “inaceitáveis”. Segundo ele, pessoas têm sido retiradas de casas, locais de trabalho e das ruas por agentes federais mascarados. “Manifestantes pacíficos e cidadãos exercendo seus direitos constitucionais foram presos, agredidos e atacados. Nos casos de Renee Good e Alex Pretti, foram mortos”, declarou. Para Clinton, a situação se agrava quando o governo “mente e pede que a população não acredite no que viu com os próprios olhos”.
Clinton encerrou a declaração com um apelo à sociedade. “Depende de todos nós, que acreditamos na promessa da democracia americana, nos posicionarmos, falarmos e mostrarmos que nossa nação ainda pertence ao povo”, afirmou.
Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama também divulgaram uma nota conjunta. Para eles, a morte de Pretti é uma “tragédia gigantesca” e deve servir de alerta. “Agentes da lei e da imigração têm um trabalho difícil, mas os americanos esperam que atuem de forma responsável, dentro da lei e em cooperação com as forças policiais locais”, destacaram.
O casal Obama acusou o governo Trump de desinformar a população sobre as ações do ICE e de espalhar versões falsas sobre as mortes de Renee Good e Alex Pretti. “Isso precisa parar”, diz o texto, que pede uma mudança de postura e diálogo com o governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey.
A deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez também se pronunciou nas redes sociais. Ela afirmou que o governo estaria “defendendo o assassinato de americanos comuns por exercerem seus direitos constitucionais”. Segundo a congressista, as vítimas eram uma mãe e um enfermeiro que ajudava veteranos, mortos “à queima-roupa e sem remorso”.
As críticas não ficaram restritas aos democratas. Parlamentares do Partido Republicano também passaram a cobrar explicações. O senador Bill Cassidy classificou os acontecimentos como “extremamente perturbadores” e afirmou que a credibilidade do ICE e do Departamento de Segurança Interna está em risco. Ele defendeu uma investigação conjunta federal e estadual sobre o caso.
Outra voz crítica foi a da senadora Lisa Murkowski, do Alasca. Para ela, a morte de Alex Pretti levanta sérias dúvidas sobre o treinamento e as ordens dadas aos agentes de imigração. “Portar uma arma legal não justifica o assassinato por agentes federais, especialmente quando os vídeos mostram que a vítima já estava desarmada”, afirmou.
Murkowski defendeu uma investigação independente e audiências no Congresso. “Os agentes do ICE não têm carta branca para agir dessa forma”, concluiu.

