Pesquisas recentes e especialistas têm apontado o uso intensivo de smartphones e o consumo de pornografia como fatores que podem contribuir para a redução da taxa de natalidade observada em diversos países, incluindo o Brasil. O tema ganhou destaque após estudos relacionarem a hiperconectividade à diminuição das interações presenciais e da atividade sexual entre jovens.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a taxa de fecundidade brasileira caiu de 6,28 filhos por mulher em 1960 para 1,55 em 2022, abaixo do índice necessário para reposição populacional. Entre 2023 e 2024, o número de nascimentos também registrou nova redução de 5,8%.
Estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Cincinnati sugere que a expansão dos smartphones alterou profundamente o comportamento social dos adolescentes, reduzindo encontros presenciais e relacionamentos afetivos. Já pesquisas realizadas nos Estados Unidos e na China indicam associação entre maior uso de celulares, consumo de pornografia e menor intenção de formar famílias ou ter filhos.
Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a pornografia pode influenciar negativamente a construção de vínculos afetivos duradouros e favorecer padrões de comportamento individualizados. Eles ressaltam, porém, que a queda da natalidade resulta de um conjunto de fatores econômicos, sociais e culturais, e defendem maior debate sobre os impactos da hiperconectividade e do acesso precoce a conteúdos adultos na formação das novas gerações.

