O empresário João Carlos Camargo Júnior, conhecido como “alfaiate dos famosos”, foi ouvido nesta terça-feira pela CPMI do INSS. Chamado como testemunha, ele levou um habeas corpus e ficou em silêncio na maior parte da audiência.
Parlamentares apontam Camargo como possível elo usado para lavar dinheiro do esquema que desviou valores de aposentados e pensionistas.
Segundo o relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, documentos mostram que a empresa MKT Connection Group, aberta por Camargo em 2022, recebeu mais de R$ 31 milhões da Associação Amar Brasil, investigada por fraudes no INSS. A alfaiataria do empresário também teria recebido R$ 1,7 milhão, sem comprovação de serviços.
O relator diz que Camargo seria o principal elo da organização criminosa. Para ele, o empresário se uniu a pessoas citadas nas investigações da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União. Entre os nomes citados estão Américo Monte Júnior, Anderson Cordeiro de Vasconcelos, Felipe Macêdo Gomes, José Branco Garcia e Igor Dias Delecrode.
Alfredo Gaspar afirmou que pedirá ao Supremo Tribunal Federal a prisão do empresário. Ele criticou o uso das contas da alfaiataria para movimentar dinheiro que seria de origem ilegal.
O nome de Camargo apareceu no relatório do Coaf, que identificou as transferências milionárias da Associação Amar Brasil para a MKT Connection Group. O empresário também já foi sócio de outras empresas ligadas a investigados pela PF.
Durante a audiência, Camargo usou o direito ao silêncio garantido pelo habeas corpus do ministro Alexandre de Moraes. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, disse que ele deveria responder perguntas que não o incriminassem. A defesa discordou e afirmou que o caso ainda está sob investigação.
O empresário confirmou apenas que é dono da MKT Connection Group e disse que os serviços prestados foram declarados, com impostos pagos e lucros compatíveis com o trabalho. Ele classificou como injustas as ligações feitas entre as fraudes e a sua alfaiataria.

