O medo do diagnóstico ainda leva muitas mulheres a adiar consultas e exames. Às vésperas do Outubro Rosa, três pacientes de Rio Preto que passaram por cirurgia com o cirurgião oncológico Sérgio Carvalho decidiram contar suas histórias para fazer um alerta: descobrir uma alteração cedo pode mudar o rumo do tratamento.
São trajetórias diferentes, marcadas por cirurgia, radioterapia, quimioterapia, apoio da família e, principalmente, pela decisão de não desistir.
Aos 70 anos, a dona de casa Thereza Alexandre Ferreira enfrenta o câncer de ovário há 13 anos. Tudo começou em novembro de 2013, quando ela sentiu ardência ao urinar. Procurou um urologista, fez exames e recebeu um diagnóstico que não esperava.
A primeira cirurgia foi realizada em janeiro de 2014. Thereza precisou retirar o útero, as trompas, os ovários e parte do intestino grosso. Depois vieram a quimioterapia e novas cirurgias, após o reaparecimento da doença no abdômen e no rim esquerdo.
Em 2025, ela voltou a ser operada. Neste ano, novos linfonodos foram identificados no abdômen e Thereza retomou a quimioterapia. Mesmo depois de tantas etapas, mantém a confiança no tratamento.
“São 13 anos de luta. Sempre com fé em Deus, confiança nos médicos e força da minha família. Não podemos desistir nunca”, afirma.
A profissional de vendas diretas de cosméticos Cleide Trindade, de 54 anos, descobriu alterações durante uma mamografia. O exame identificou calcificações e a biópsia apontou células atípicas, consideradas pré-cancerosas. Por orientação médica, ela passou pela retirada das duas mamas, com reconstrução.
Somente depois da cirurgia, o exame do tecido revelou um carcinoma que permanecia escondido. O tumor, porém, já havia sido completamente removido.
“O momento mais difícil foi lidar com a incerteza e tomar a decisão pela cirurgia. Depois, descobrimos um carcinoma que estava escondido. Para mim, foi um grande livramento”, conta Cleide.
A experiência mudou a forma como ela passou a cuidar da própria saúde. “Não tenha medo de se cuidar. Faça seus exames, escute os sinais do corpo e confie em profissionais preparados. Cuidar-se também é um ato de amor pela própria vida.”
Trabalho durante o tratamento
A professora Marialice R. Rossi percebeu pequenas alterações na mama em setembro de 2025. Aos 78 anos, ela continuava trabalhando em sua franquia do Kumon e também acompanhava o companheiro, diagnosticado com Alzheimer.
O período mais difícil foi a espera pelo resultado da biópsia. Diante da falta de uma resposta conclusiva, a equipe decidiu pela cirurgia. O linfonodo sentinela não apresentava comprometimento, mas as alterações retiradas da mama eram cancerígenas.
Marialice passou por cirurgia, 15 sessões de radioterapia e quimioterapia. Mesmo durante o tratamento, manteve a rotina de trabalho. Dava aulas pela manhã, fazia a radioterapia e depois retornava às atividades.
Um dos receios era perder os cabelos e não ser reconhecida pelo companheiro. Por isso, providenciou uma peruca semelhante ao corte que usava. A quimioterapia terminou em 6 de abril e, agora, ela acompanha o crescimento dos novos fios com bom humor.
“Meu cabelo está nascendo enroladinho, mas vamos enfrentando e tocando a vida. Tive muito apoio da família, dos médicos e da terapia. Só tenho a agradecer”, diz.
Para ela, a experiência reforça a importância de conhecer o próprio corpo e procurar atendimento ao perceber qualquer alteração. “A gente precisa ficar sempre atenta. Percebeu alguma alteração, tem que procurar o médico e fazer o acompanhamento.”
O Instituto Nacional de Câncer estima 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Desde setembro de 2025, a recomendação nacional é de mamografia de rotina a cada dois anos para mulheres de 50 a 74 anos. Alterações suspeitas, no entanto, devem ser investigadas em qualquer idade.
Segundo o cirurgião oncológico Sérgio Carvalho, o medo não deve impedir a mulher de procurar atendimento. “Perceber uma alteração e investigar cedo pode ampliar as possibilidades de tratamento e reduzir o impacto da doença na vida da paciente”, afirma.
As histórias de Thereza, Cleide e Marialice mostram que o Outubro Rosa vai além da cor ou do mês no calendário. A campanha reforça a importância de transformar o cuidado com a saúde em rotina, não ignorar os sinais do corpo e procurar ajuda diante de qualquer alteração.

