Durante a construção da Usina de Itaipu, na década de 1970, uma escola pública construída com recursos do governo foi entregue à iniciativa privada em Foz do Iguaçu, no Paraná. O caso ocorreu em 1976, durante o regime militar.
O prédio da Escola Politécnica havia sido criado para atender estudantes da rede pública, em um momento em que havia cerca de 3 mil pessoas fora das salas de aula. No entanto, o local foi repassado ao Colégio Anglo-Americano, que passou a atender filhos de trabalhadores da usina.
A decisão foi determinada por autoridades da época, e o inspetor de ensino José Kuiava relatou que recebeu ordem direta para entregar o prédio ao colégio privado.
O contrato envolvia Itaipu e empresas responsáveis pela obra, que garantiam pagamento por vagas. A escola chegou a atender mais de 14 mil alunos durante o período de construção.
As mensalidades variavam entre 300 e 500 cruzeiros, valores pagos com recursos vinculados ao projeto da usina.
Pesquisadores apontam que o modelo favoreceu o crescimento do ensino privado no país e gerou desigualdade entre estudantes, com estruturas diferentes para alunos de classes sociais distintas.
Na mesma época, a população de Foz do Iguaçu cresceu rapidamente, o que agravou o déficit educacional na rede pública.

