A 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada em Ulaanbaatar, na Mongólia, caminha para terminar sem um acordo sobre a criação de um regime global de combate às secas. O encontro termina nesta sexta-feira (28), mas Estados Unidos, União Europeia e outros países se opõem à criação do mecanismo.
A proposta, defendida principalmente por países africanos, prevê uma ação internacional coordenada para prevenção e resposta às secas, com recursos destinados às nações mais vulneráveis. Os países mais ricos, porém, defendem compromissos voluntários e não querem assumir um acordo obrigatório de financiamento.
O Brasil apoia a criação do regime, mas considera que, diante da falta de consenso, o tema deve permanecer na agenda das próximas conferências. A previsão é que a discussão seja novamente levada à COP18, em 2028.
A seca tem aumentado em frequência, intensidade e extensão. Segundo a UNCCD, esses eventos cresceram quase 30% desde 2000. O problema deixou de atingir apenas a agricultura e passou a afetar transporte, hidrovias, saúde, comércio e cadeias de abastecimento.
Durante a COP17, também foram anunciadas iniciativas de financiamento. A Aliança de Riad para Resiliência Global à Seca pretende apoiar 70 países em desenvolvimento. A Arábia Saudita anunciou US$ 150 milhões, enquanto o Banco Islâmico de Desenvolvimento e o fundo da Opep prometeram US$ 2 bilhões.
Outro mecanismo, criado pela UNCCD e pelo governo de Luxemburgo, pretende mobilizar até US$ 400 milhões em recursos públicos e privados para projetos de resiliência.
A conferência também apresentou uma nova fase do Observatório Internacional de Resiliência à Seca, plataforma que utiliza dados e ferramentas de inteligência artificial para identificar riscos e orientar políticas de prevenção.

