A Organização de Procura de Órgãos (OPO) do Hospital de Base de Rio Preto realizou uma capacitação com especialistas de hospitais da região noroeste paulista, com foco na ampliação da doação de órgãos. O treinamento tem impacto direto no aumento do número de doadores e no fortalecimento do atendimento às famílias em momentos delicados, especialmente no momento do “sim” das famílias.

Entre 2024 e 2025, a OPO registrou crescimento de 10% no número de doadores efetivos, com taxa de aceitação familiar de 75,5%. O resultado contribuiu para a realização de 206 transplantes no último ano, número considerado expressivo pela instituição.
Na manhã desta sexta-feira, 24 de abril, o Hospital de Base realiza a captação de múltiplos órgãos, incluindo coração, pulmões, pâncreas, fígado, rins e córneas, ou seja, todos os órgãos possíveis de um ser humano doar. O coração será transportado no centésimo voo do projeto Transplantar, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo em parceria com empresas privadas para agilizar o transporte de órgãos.
Segundo o nefrologista Dr. João Fernando Picollo, coordenador da OPO, a capacitação das equipes é fundamental para os resultados. “A comunicação adequada em momentos críticos e o cumprimento rigoroso dos critérios de morte encefálica são fundamentais para garantir segurança, confiança das famílias e efetividade no processo de doação”, afirma.
Os cursos de Comunicação em Situações Críticas e o de Determinação de Morte Encefálica estão sendo realizados nos dias 24 e 25 de abril, no Hyatt Place, em Rio Preto. As capacitações têm como objetivo aprimorar abordagens sensíveis com familiares e garantir a precisão nos protocolos clínicos.
A formação em comunicação prepara profissionais para conduzir conversas delicadas com familiares de pacientes em estado grave ou com diagnóstico de morte encefálica. Já o curso técnico aborda critérios clínicos e legais, assegurando rigor e padronização dos protocolos, considerados essenciais para ampliar a doação de órgãos.
A OPO do Hospital de Base apresenta um dos melhores desempenhos do país. Em atuação conjunta com outros 23 hospitais da região, registra índice de 56 órgãos por milhão de pessoas nas cidades do DRS 15 e 32 no DRS 2. Os números superam a média do Estado de São Paulo, de 22 por milhão, e do Brasil, de 20 por milhão.
Desde sua criação, a organização já capacitou mais de 700 profissionais de saúde em mais de 140 municípios das regiões oeste e noroeste paulista. O trabalho é realizado com apoio de voluntários, que atuam no acolhimento de familiares e na orientação sobre o impacto da doação.
Histórias de pacientes transplantados mostram a importância desse trabalho. A paciente Stephanny Annyely Lemiro De Melo passou quase nove anos em hemodiálise antes de realizar um transplante renal em 2023. “Foi um processo difícil, mas hoje estou bem e consegui retomar minha rotina”, relata.
Ela também destaca as mudanças após o procedimento. “Antes, minha vida girava em torno da hemodiálise. Hoje consigo viajar e fazer planos que antes eram impossíveis”, diz.
De acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), um único doador pode beneficiar até sete pessoas com órgãos como coração, pulmões, fígado, pâncreas e rins. A doação de tecidos pode ajudar mais de 50 pacientes.


