Merval Pereira, em sua coluna desta terça-feira (17) em O Globo, avalia o governo entrou em um “campo minado” ao permitir ou incentivar uma homenagem tão personalizada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em pleno ano de pré-campanha. A leitura é que, ao transformar o desfile em palco de exaltação política, com críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, o evento deixou de ter apenas caráter artístico e cultural e passou a flertar com a propaganda política explícita.
O ponto central da análise é o possível impacto no Tribunal Superior Eleitoral. A Corte, que adotou postura rigorosa em julgamentos anteriores envolvendo Bolsonaro, especialmente em casos de abuso de poder político, pode agora ser chamada a avaliar situação semelhante, mas com outro protagonista. Se não aplicar o mesmo critério, cresce o discurso de que haveria “dois pesos e duas medidas” na Justiça eleitoral, o que tende a ampliar a polarização.
Outro aspecto levantado é o uso de recursos públicos. O repasse de verba federal, por meio da Embratur, para uma escola de samba que apresentou um enredo considerado por críticos como um manifesto pró-Lula, pode ser interpretado como indício de desvio de finalidade. Embora o Carnaval seja tradicionalmente financiado com apoio estatal, o questionamento surge quando a narrativa ultrapassa o campo cultural e assume contornos eleitorais.
Por fim, a análise aponta reflexos na imagem do Judiciário. A presença de ministros e autoridades ligadas ao governo no evento, ou a eventual ausência de reação institucional, pode aprofundar a crise de confiança em relação ao STF e ao TSE. No entendimento exposto pelo jornalista, Lula pode ter conquistado aplausos na avenida, mas o episódio pode se transformar em elemento jurídico delicado no cenário eleitoral que se desenha.

