A Bolívia chegou ao 36º dia consecutivo de protestos nesta sexta-feira (5), em meio ao agravamento da crise política que atinge o governo do presidente Rodrigo Paz. Com mais de 80 bloqueios de rodovias registrados em diferentes regiões do país, manifestações populares seguem exigindo a renúncia do presidente, que está há apenas seis meses no cargo.
A situação se agravou após a prisão de lideranças políticas e sociais ligadas aos movimentos de protesto. Entre os detidos estão a ex-senadora Simone Quispe, do partido de esquerda MAS, além de dirigentes comunitários e camponeses. Organizações sociais acusam o governo de promover perseguição política e classificam as detenções como arbitrárias. As autoridades, por sua vez, alegam crimes como terrorismo e incitação à violência.
Os protestos começaram por causa da má qualidade dos combustíveis distribuídos pelo governo, mas ganharam força após a aprovação de uma nova legislação sobre terras, considerada prejudicial aos pequenos produtores rurais. Os bloqueios já provocam desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos em diversas cidades bolivianas.
O cenário ganhou novos contornos após manifestações de apoio do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, ao governo de Rodrigo Paz. O representante norte-americano afirmou que Washington continuará apoiando a Bolívia no combate ao narcotráfico e ao que classificou como ameaças à estabilidade regional. Analistas avaliam que esse respaldo pode fortalecer a atuação das Forças Armadas diante dos protestos.
A crise também provocou baixas no governo. Nos últimos dias, os ministros da Defesa e da Educação renunciaram aos cargos, somando-se à saída anterior do ministro do Trabalho. Paralelamente, o Congresso boliviano discute uma nova legislação sobre estado de exceção, medida que preocupa movimentos sociais e entidades de direitos humanos devido ao risco de ampliação da repressão.

