Uma ação do Cras Santo Antônio resultou no resgate de seis adultos e duas crianças que viviam e trabalhavam em situação de exploração em Rio Preto. O caso ocorreu na noite de quarta-feira (5), após o grupo procurar o serviço social em busca de ajuda.
Os trabalhadores, todos imigrantes bolivianos, contaram que costuravam até 18 horas por dia, todos os dias da semana, recebendo cerca de mil reais por mês por casal. Eles também relataram que a alimentação era controlada pela empregadora de acordo com a produtividade. Quando o rendimento caía, as refeições eram reduzidas, chegando a apenas meio pão no café da manhã. A empregadora dizia que as crianças poderiam comer na escola.
O grupo vivia no mesmo local onde trabalhava e dizia enfrentar restrições para sair, além de agressões verbais e descontos no salário por dívidas impostas. Uma das mulheres, grávida e com risco na gestação, afirmou que era impedida de fazer o pré-natal. Eles procuraram o Cras quando a suspeita saiu para uma consulta médica.
Diante da gravidade dos relatos, a equipe técnica acionou o Centro Pop, que providenciou abrigo temporário e passagens. Parte do grupo voltou à casa para pegar documentos e acabou impedida de sair novamente. Os servidores então chamaram a Polícia Militar e a Guarda Civil Municipal, que fizeram o resgate e levaram a suspeita, uma costureira de 32 anos, para a Central de Flagrantes.
A ocorrência foi registrada como redução à condição análoga à escravidão. As vítimas receberam apoio social e foram encaminhadas para retorno seguro a São Paulo, onde têm familiares.
A secretária de Desenvolvimento Social, Sandra Reis, destacou a importância da ação. Segundo ela, a equipe do Cras agiu com rapidez e sensibilidade para proteger as famílias.

