A Prefeitura de Potirendaba abriu uma sindicância para apurar a conduta de uma professora da rede municipal após uma denúncia de que ela teria assustado alunos durante uma aula ao afirmar que pessoas negras e pardas poderiam morrer em um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República. A prefeita Gi Franzotti anunciou as medidas na quarta-feira (21), depois de receber a reclamação de uma mãe, segundo assessora de imprensa da Prefeitura.
Segundo a prefeita, a mãe relatou que a filha, de 11 anos, chegou em casa chorando e apavorada com o que teria ouvido em sala de aula. De acordo com o relato, a professora associou a possível vitória de um candidato à implantação de um regime autoritário e passou a apontar estudantes, dizendo quem sobreviveria e quem morreria.
Em um vídeo divulgado pela prefeita, a professora fala sobre o risco de o Brasil se tornar um país fascista e relaciona o fascismo à extrema direita e ao lema “Deus, pátria e família”. Durante a conversa com os alunos, Flávio Bolsonaro é citado, e a docente afirma que, em um cenário como aquele que descrevia, poucos estudantes da sala sobreviveriam.
A gravação também registra falas dirigidas a alunos com referências à cor da pele. Em um dos trechos, ao responder a uma estudante, a professora diz que ela teria “um pezinho na senzala”. Em outro momento, afirma que a aluna morreria no cenário hipotético discutido. As falas provocam perguntas dos estudantes sobre o significado de senzala e sobre o próprio destino caso aquele regime se instalasse.
Diante da denúncia, Gi Franzotti afirmou que encaminharia o caso ao Ministério Público do Trabalho, à Justiça da Infância e da Juventude e ao Conselho Tutelar, além de determinar a abertura de procedimento administrativo na Prefeitura. A prefeita também disse que as imagens da sala de aula seriam analisadas para apurar as circunstâncias do episódio.
Em nota, a Prefeitura afirmou que não compactua com discriminação, intimidação ou condutas que provoquem sofrimento emocional aos estudantes. A administração ressaltou que o ensino de episódios históricos, como o nazismo e o Holocausto, é importante, mas deve ser conduzido com responsabilidade pedagógica, sem desinformação ou uso da vulnerabilidade emocional das crianças.
A Prefeitura informou ainda que, por envolver menores de idade e procedimentos em andamento, preservará a identidade dos estudantes e divulgará novas informações quando for possível, respeitando a legislação. Até a publicação da reportagem, não havia informação sobre eventual afastamento da professora nem conclusão da sindicância. A manifestação da docente também não havia sido apresentada no material divulgado.

