O impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), uma das bandeiras da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), divide integrantes do entorno do senador. A posição também encontra divergências entre aliados de primeira hora e pessoas cotadas para participar de um eventual governo.
A discussão ocorre em meio à estratégia de Flávio de manter as críticas a Moraes e ao STF no centro do discurso eleitoral. O senador já defendeu publicamente o afastamento do ministro e tem associado o debate sobre o Supremo à sua campanha.
A própria campanha, porém, também mantém interlocução com integrantes da Corte. Em setembro, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, se reuniu com o ministro Gilmar Mendes e, segundo relatos divulgados à época, afirmou que as críticas a Moraes não representavam ataques ao STF como instituição e que uma eventual gestão de Flávio buscaria manter relações institucionais entre os Poderes.
O tema do impeachment ganhou espaço na disputa presidencial nas últimas semanas, enquanto pedidos de afastamento de Moraes também são discutidos no Senado. A oposição tem pressionado o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pela tramitação dos pedidos.
A existência de pedidos e de apoio de parlamentares, no entanto, não significa que o impeachment esteja aprovado ou que o processo tenha sido necessariamente instaurado. A eventual abertura depende dos procedimentos previstos no Senado.

