As chamadas canetas emagrecedoras podem acelerar a perda de peso, mas parte dos quilos eliminados pode vir da massa magra, e não apenas da gordura. Uma metanálise publicada na revista científica Metabolism, que reuniu 22 ensaios clínicos randomizados com 2.258 participantes, apontou que os medicamentos relacionados ao GLP-1 provocaram perda principalmente de gordura, mas também de massa magra.
Em média, a massa magra representou cerca de 25% do peso eliminado nos estudos. Esse grupo inclui músculos, ossos, órgãos e líquidos corporais. Por isso, o resultado não significa que um quarto do peso perdido seja necessariamente músculo.
O nutricionista Ronan Nakau, de Rio Preto, explica que o risco de perda muscular pode aumentar quando a redução do apetite não é acompanhada de alimentação adequada. Com a ingestão menor de alimentos, o paciente pode deixar de consumir proteínas, carboidratos, vitaminas e minerais em quantidade suficiente.
“A balança mostra quantos quilos foram perdidos, mas não revela a qualidade desse emagrecimento. O paciente pode reduzir bastante o peso e, ao mesmo tempo, perder músculos importantes para sua força, seu metabolismo e sua autonomia”, afirma.
Uma análise do estudo STEP 1 acompanhou a composição corporal de 140 pessoas tratadas com semaglutida durante 68 semanas. A gordura corporal total diminuiu 19,3%, enquanto a massa magra caiu 9,7%. Como a redução de gordura foi proporcionalmente maior, a participação da massa magra no peso corporal aumentou.
Idosos, pessoas sedentárias e pacientes com obesidade sarcopênica, caracterizada pela combinação de excesso de gordura e baixa massa muscular, exigem atenção especial. Fraqueza, flacidez acentuada, cansaço, fadiga e queda no rendimento durante os exercícios estão entre os sinais que devem ser observados.
Segundo Nakau, a preservação da massa muscular depende de um plano alimentar adequado ao peso, à rotina, à intensidade dos exercícios e às condições de saúde de cada pessoa. Ele ressalta que não basta aumentar a ingestão de proteína sem avaliar a quantidade total, a distribuição ao longo do dia e a qualidade da alimentação.
O exercício de força também tem papel importante. O preparador físico Danilo Ozanique, da Academia Go Heat, em Rio Preto, explica que a musculação oferece estímulo para a preservação dos músculos durante o processo de emagrecimento.
“Nossos músculos funcionam como um plano de saúde silencioso. Eles ajudam na proteção dos ossos e das articulações, favorecem a saúde cardiovascular, aumentam a força e contribuem para a longevidade”, afirma.
O treino deve trabalhar o corpo de maneira global, incluindo membros superiores e inferiores. Frequência, carga e intensidade precisam ser ajustadas ao condicionamento e às condições de cada pessoa.
Para quem está começando ou perdendo peso rapidamente, o treinamento deve ser progressivo. Em situações de fraqueza, tontura ou queda de rendimento, Ozanique recomenda reduzir a intensidade e reavaliar também a alimentação.
Além do peso indicado na balança, avaliações físicas e exames de composição corporal, como a bioimpedância, podem ajudar a acompanhar a proporção entre gordura e massa magra. O objetivo do emagrecimento, segundo os especialistas, deve envolver não apenas a redução do peso, mas também a preservação da força e da capacidade física.

