A continuidade das chuvas nas montanhas do Nepal mantém regiões do país sob risco de novos deslizamentos, inundações e avalanches. Especialistas defendem que geleiras, encostas e rios sejam monitorados de forma integrada para identificar pontos de risco e reduzir os efeitos de novos desastres.
A região de Kiyrong-Rasuwa sofreu mudanças após o colapso de uma geleira do pico Langtang Lirung, ocorrido em agosto. O desastre provocou a formação de lagos em áreas elevadas e deslocou grande quantidade de sedimentos para o vale do rio Lhende Khola, que ficou coberto por lama e detritos.
Segundo o Centro Internacional de Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD), é necessário acompanhar as rochas e o gelo ao redor das geleiras, as encostas afetadas por avalanches, os bloqueios temporários de rios e os sedimentos depositados nos vales. Esses materiais podem ser deslocados novamente durante períodos de chuva intensa.
O pesquisador Sher Muhammad, do ICIMOD, afirmou que imagens de satélite permitiram reconstruir a origem e o percurso do material deslocado pelo desastre. Ele também destacou a necessidade de confirmar os dados antes de estabelecer comparações definitivas com outros eventos registrados no Himalaia.
O especialista Jefferson Simões, coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera, explicou que alterações nas condições climáticas podem reduzir a aderência entre geleiras e rochas. A infiltração de água pode contribuir para a instabilidade e provocar novos deslocamentos de gelo e rocha.
Na região de Rasuwa, o governo nepalês mantém dois lagos glaciais sob vigilância. Segundo os especialistas, os lagos chegaram perto do ponto de extravasamento na semana anterior, o que mantém a necessidade de acompanhamento das condições locais.
Os pesquisadores afirmam que não existem elementos suficientes para atribuir diretamente o desastre de agosto ao aquecimento global. O fenômeno, porém, altera as condições do gelo no Himalaia e pode influenciar a estabilidade de geleiras e montanhas.
Para Sher Muhammad, o monitoramento deve combinar imagens de satélite, câmeras, sensores sísmicos, instrumentos de campo e medidores de rios. As informações precisam estar ligadas a sistemas de alerta e evacuação.
A principal recomendação é que geleiras, encostas e rios deixem de ser analisados de forma isolada. Para os especialistas, os três elementos fazem parte de um mesmo sistema de risco e devem ser acompanhados de maneira conjunta.

