A Polícia Federal apura a relação do senador Jaques Wagner (PT-BA) com o empresário Augusto Lima, conhecido como “Guga Lima”, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, em uma investigação que analisa contatos, movimentações financeiras e possíveis vantagens relacionadas ao parlamentar e pessoas próximas a ele.
Segundo informações reunidas pelos investigadores, houve 74 ligações telefônicas entre Wagner e Augusto Lima ao longo de aproximadamente um ano e meio. A PF avalia que a frequência dos contatos pode indicar proximidade entre o senador e integrantes do grupo empresarial investigado.
O relatório também menciona benefícios que teriam sido oferecidos ao parlamentar e familiares, incluindo viagens em aeronave particular, presentes e pedidos de ingressos para eventos. Os investigadores analisam se essas situações poderiam representar vantagens indevidas.
Outro ponto da apuração envolve a participação de Wagner em articulações entre representantes do setor privado e autoridades públicas. A PF também investiga uma negociação envolvendo um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, dentro de uma linha de investigação que busca identificar possíveis conexões entre interesses empresariais e atuação política.
Além disso, os investigadores apontaram indícios de que o senador teria recursos aplicados no Banco Master por meio de investimentos financeiros, como Certificados de Depósito Bancário (CDBs). A PF avalia se a existência dessas aplicações, somada à proximidade com dirigentes da instituição, poderia ter relação com a atuação do parlamentar em temas de interesse regulatório e econômico do banco.
Jaques Wagner afirmou que é inocente e que tem confiança de que os fatos serão esclarecidos durante o andamento do inquérito. O senador declarou que a investigação deve servir para esclarecer dúvidas e afastar interpretações equivocadas.
Orientado por seus advogados, Wagner não respondeu a questionamentos específicos sobre os contatos, viagens e transações citadas no relatório da Polícia Federal. O parlamentar afirmou que neste momento está concentrado nas atividades políticas relacionadas ao calendário eleitoral.
O senador também destacou sua relação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou contar com o apoio do chefe do Executivo. Wagner classificou Lula como um aliado histórico e confirmou a participação do presidente em agendas políticas na Bahia.
A investigação segue em andamento e ainda não há decisão judicial definitiva sobre eventual responsabilidade do senador em relação aos fatos analisados.

