O Fundo Monetário Internacional (FMI) avaliou que o Pix transformou o sistema financeiro brasileiro ao ampliar a inclusão financeira, estimular a concorrência e acelerar a digitalização dos serviços bancários. Ao mesmo tempo, o organismo defendeu o fortalecimento da estrutura do Banco Central (BC), com autonomia financeira e orçamentária para ampliar a capacidade de supervisão do setor.
As conclusões fazem parte do Relatório de Avaliação da Estabilidade do Sistema Financeiro (FSSA), divulgado nesta quinta-feira (23). O estudo foi elaborado em parceria com o Banco Mundial após missões técnicas realizadas no Brasil entre dezembro de 2025 e março de 2026.
Segundo o documento, o sistema financeiro nacional é resiliente, mas enfrenta desafios relacionados à limitação de pessoal nos órgãos de fiscalização, restrições legais e necessidade de fortalecimento institucional.
Na avaliação do FMI, o Pix consolidou-se como um dos principais instrumentos de inclusão financeira do país e contribuiu para reduzir a concentração do mercado bancário com o crescimento das instituições digitais.
“Os bancos digitais emergentes reduziram a concentração do setor bancário e continuam a fomentar a concorrência e a eficiência, resultando também em taxas de crédito mais baixas.”
O relatório destaca, no entanto, que a expansão dos meios digitais também aumentou os riscos de fraudes e ataques cibernéticos, motivo pelo qual recomenda o fortalecimento da governança do sistema e a formalização da política de supervisão do Pix, além da separação entre as funções operacionais e fiscalizatórias exercidas pelo Banco Central.
O FMI também defende que o Brasil adote medidas para ampliar a autonomia financeira da autoridade monetária, recompor o quadro de servidores e atualizar a legislação relacionada à resolução de instituições financeiras.
“As autoridades demonstraram avanços substanciais, mas ainda enfrentam desafios, principalmente decorrentes de restrições de pessoal, falta de proteção jurídica e limitações de autoridade legal.”
Segundo o organismo, essas limitações reduzem a intensidade da supervisão bancária e aumentam a dependência de entidades autorreguladoras no mercado de capitais.
A recomendação ocorre enquanto o Senado analisa a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023, que prevê autonomia financeira ao Banco Central. O texto já foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aguarda votação em plenário.
Apesar das recomendações, o relatório conclui que o sistema financeiro brasileiro permanece sólido e capaz de absorver choques econômicos, destacando a importância da manutenção do regime de metas para a inflação e da continuidade das reformas estruturais.
Em nota, o Banco Central afirmou que recebeu o relatório de forma positiva e destacou que o documento reconhece os avanços do sistema financeiro brasileiro, o papel do Pix e a necessidade de fortalecimento institucional da autarquia.
O Ministério da Fazenda também ressaltou que o FMI manteve a previsão de crescimento de 2,4% para a economia brasileira em 2026 e elevou para 2,2% a estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) para 2027, além de reconhecer a trajetória de consolidação fiscal proposta pelo governo.

