O governo federal decidiu aumentar de 30% para 32% a mistura de etanol anidro na gasolina comum. A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e terá validade inicial de 180 dias, com possibilidade de prorrogação.
A medida entra em vigor em 1º de agosto de 2026 e tem como objetivo reduzir os impactos da alta dos combustíveis provocada pela instabilidade no mercado internacional de petróleo após a retomada da guerra no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Hormuz.
O Ministério de Minas e Energia estima que a nova mistura poderá reduzir em cerca de R$ 0,03 o preço do litro da gasolina nas bombas.
Segundo o governo, a alteração poderá substituir aproximadamente 450 milhões de litros de gasolina importada pelo Brasil, reduzindo a exposição do mercado interno às variações internacionais do petróleo. Atualmente, cerca de 15% da gasolina consumida no país vem do exterior.
A União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) apoiou a medida e informou que estudos do Instituto Mauá de Tecnologia apontam que a mudança não causa danos aos motores. A entidade estima uma demanda adicional de 1 bilhão de litros de etanol por ano.
Representantes de distribuidoras, postos e importadores demonstraram preocupação com a alteração. As entidades afirmam que ainda são necessários estudos sobre possíveis impactos em veículos antigos e motocicletas movidas exclusivamente a gasolina.
O CNPE também aprovou uma resolução que impede a importação de biodiesel para compor a mistura obrigatória de 15% no diesel comercializado no Brasil. Com isso, todo o biodiesel utilizado deverá ter origem nacional.

