O depoimento do ator Pedro Neschling sobre sua experiência com a perda auditiva trouxe visibilidade para um problema que afeta milhares de brasileiros e que, muitas vezes, demora a ser identificado. Filho do maestro John Neschling e da atriz Lucélia Santos, o ator revelou, durante participação no programa Sem Censura, da TV Brasil, e também em suas redes sociais, que conviveu durante anos com dificuldades para ouvir antes de receber o tratamento adequado.

Segundo o relato, ainda jovem ele foi orientado de que não precisaria utilizar aparelho auditivo, pois já havia desenvolvido mecanismos para compensar a deficiência no dia a dia. Somente aos 30 anos, após procurar outro especialista, passou por uma avaliação mais detalhada e iniciou o uso do equipamento, percebendo mudanças importantes na qualidade de vida, na comunicação e na realização de atividades cotidianas.
Em uma publicação nas redes sociais, Pedro Neschling destacou os benefícios do tratamento. “Muita gente toma um susto quando descobre que eu uso aparelho auditivo. O meu é super discreto, então muitas vezes não é notado nas atividades cotidianas. Mas eu faço questão de falar desse assunto e mostrar porque sei o quanto tratar a perda auditiva é transformador. É esse aparelho que me ajuda a ter um dia a dia mais pleno e me comunicar melhor com as pessoas.”
Para o otorrinolaringologista Adriano Reis, da Otorrino Rio Preto, o caso demonstra como o diagnóstico correto pode fazer diferença na vida dos pacientes. “Muitas pessoas acreditam que conseguem conviver normalmente com uma perda auditiva porque desenvolveram estratégias de compensação ao longo da vida. No entanto, isso costuma gerar um desgaste mental importante, além de impactar a comunicação, a vida social e até o desempenho profissional”, explica.
O especialista ressalta que qualquer grau de perda auditiva merece investigação médica. “Não é porque a pessoa ainda consegue ouvir com alguma dificuldade que a situação deve ser considerada normal. Toda perda auditiva precisa ser avaliada para que possamos definir a melhor conduta e evitar prejuízos à qualidade de vida”, afirma.
Adriano Reis também observa que o processo de adaptação ao aparelho auditivo costuma trazer resultados positivos em pouco tempo. “É comum ouvirmos relatos de pessoas que voltam a participar com mais tranquilidade de reuniões, encontros familiares e atividades sociais. O ganho na disposição e no bem-estar é muito significativo”, completa.
O médico reforça que o diagnóstico precoce possibilita intervenções mais eficazes e reduz impactos emocionais, sociais e cognitivos relacionados à deficiência auditiva. “Por isso, sinais como necessidade frequente de pedir para repetir informações, aumento excessivo do volume da televisão e dificuldade para compreender conversas em ambientes ruidosos devem servir de alerta para a busca de avaliação médica especializada.”

