Oito municípios brasileiros que implantaram a tarifa zero no transporte coletivo decidiram voltar a cobrar passagem nos últimos anos. A informação aparece pela primeira vez em levantamento da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), que analisa a evolução da gratuidade no transporte público no país. As informações são do portal de notícias do jornal Folha de S. Paulo.
As cidades que abandonaram o modelo são Jaboticabal, Monte Mor, Paulínia e Pirapora do Bom Jesus, em São Paulo, além de Picos, no Piauí, Porto Real, no Rio de Janeiro, e Tijucas do Sul e Ubiratã, no Paraná. Segundo o estudo, os programas permaneceram em funcionamento por períodos relativamente curtos, variando de alguns meses a poucos anos.
Entre os casos destacados está Monte Mor, que encerrou a tarifa zero em 2025 alegando inviabilidade financeira após menos de dois anos de operação. Em Paulínia, a gratuidade foi implantada na década de 1990, posteriormente interrompida, retomada parcialmente e descontinuada em 2018, quando a administração municipal justificou a decisão por problemas de vandalismo nos ônibus.
Apesar dos recuos, o Brasil conta atualmente com 143 municípios que oferecem tarifa zero integral no transporte coletivo e outros 43 que adotam modelos parciais de gratuidade. A pesquisa mostra, no entanto, que o ritmo de expansão desacelerou após o forte crescimento registrado entre 2021 e 2023, período em que 70 cidades aderiram ao sistema. Especialistas apontam que limitações fiscais, mudanças de governo e a falta de fontes permanentes de financiamento estão entre os principais desafios para manter a política a longo prazo.

