Rio Preto iniciou 2026 com forte expansão nas exportações e uma redução gradual do déficit da balança comercial. Nos cinco primeiros meses do ano, as empresas do município exportaram US$ 36,3 milhões, valor 35,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025. As importações também cresceram, mas em ritmo menor, avançando 13,4% e alcançando US$ 73,5 milhões. Como resultado, o déficit comercial acumulado ficou em US$ 37,2 milhões.
Os números indicam uma melhora importante no desempenho do comércio exterior rio-pretense. Embora o saldo continue negativo, a diferença entre exportações e importações vem diminuindo em relação aos anos anteriores. Em 2025, por exemplo, o município encerrou o ano com déficit de US$ 104,7 milhões. O resultado atual mostra que as exportações estão ganhando participação mais rapidamente do que as compras internacionais.
Mês a mês, o comportamento das exportações revela uma trajetória de crescimento consistente ao longo de 2026. Em janeiro, Rio Preto exportou US$ 7,3 milhões. Em fevereiro foram US$ 5,6 milhões. Março registrou US$ 4,4 milhões, seguido por uma recuperação expressiva em abril, com US$ 8,6 milhões. O melhor desempenho do ano ocorreu em maio, quando as vendas externas atingiram US$ 10,4 milhões.
As importações apresentaram comportamento mais estável. Em janeiro, somaram US$ 15 milhões. Fevereiro registrou US$ 12,1 milhões. Em março houve forte avanço para US$ 17,4 milhões. Abril contabilizou US$ 16,6 milhões e maio fechou com US$ 12,4 milhões em compras internacionais.
O déficit mensal também apresentou redução ao longo do período. Em janeiro, o saldo negativo foi de US$ 7,7 milhões. Em fevereiro ficou em US$ 6,5 milhões. Março registrou o maior déficit do ano, de US$ 13 milhões. Em abril, o saldo negativo caiu para US$ 8 milhões e, em maio, recuou para apenas US$ 2 milhões, demonstrando aproximação entre exportações e importações.
A corrente de comércio, que soma exportações e importações, alcançou US$ 109,8 milhões entre janeiro e maio, indicando forte movimentação econômica internacional das empresas instaladas no município.
No ranking estadual, São José do Rio Preto respondeu por 0,1% das exportações paulistas, ocupando a 112ª posição. Nas importações, participou com 0,2% do total estadual, alcançando a 62ª colocação. No cenário nacional, o município aparece na 493ª posição entre os exportadores brasileiros e na 191ª posição entre os importadores.
A pauta exportadora de Rio Preto é liderada pelo setor de açúcares e produtos de confeitaria, responsável por 26,6% das vendas externas. Em seguida aparecem preparações alimentícias diversas, com 14,8%; artigos ortopédicos e próteses, com 10,2%; máquinas e materiais elétricos, com 6,1%; e plásticos e borracha, com 6%. Também se destacam produtos alimentícios, miudezas comestíveis, metais, animais vivos e produtos do reino animal.
Nas importações, o peso maior está nas máquinas, equipamentos mecânicos e materiais elétricos, que representam 52,6% do total adquirido no exterior. Instrumentos de óptica e fotografia respondem por 10,7%, enquanto produtos químicos somam 6,3%. Também aparecem plásticos, produtos vegetais, metais, materiais de transporte e produtos pesqueiros.
A Bélgica é atualmente o principal destino das exportações rio-pretenses, absorvendo 19,2% das vendas. Os Estados Unidos aparecem logo atrás, com 19%. Paraguai, Espanha, Chile, Bolívia, Hong Kong, Vietnã, Alemanha e Países Baixos completam a lista dos principais compradores.
Já as importações têm origem fortemente concentrada na América do Sul, responsável por 52,9% das compras externas do município. A China aparece na segunda posição, com 23,5%, seguida pelos Estados Unidos, Vietnã, Itália, Alemanha, Uruguai, Singapura, México e República Tcheca.
O histórico da balança comercial mostra uma mudança estrutural ocorrida a partir de 2011. Entre 2003 e 2010, Rio Preto registrou sucessivos superávits comerciais. Desde 2011, porém, o município passou a apresentar déficits anuais contínuos, impulsionados principalmente pelo crescimento das importações industriais. O pior resultado foi registrado em 2022, quando o déficit alcançou US$ 131,25 milhões.
Mesmo mantendo saldo negativo, os números de 2026 apontam para uma tendência de melhora. O crescimento das exportações ocorre em velocidade significativamente superior à das importações, reduzindo gradualmente o desequilíbrio comercial. A expansão das vendas de alimentos, açúcar, produtos médicos e equipamentos industriais vem fortalecendo a presença internacional das empresas rio-pretenses e contribuindo para uma trajetória mais favorável da balança comercial do município.
Paulo Narcizo, diretor da Caribbean Express
Os números da balança comercial de Rio Preto mostram uma recuperação importante da capacidade exportadora do município em 2026. O crescimento de 35,9% nas exportações, muito acima dos 13,4% registrados nas importações, demonstra que as empresas da região estão conseguindo ampliar sua presença no mercado internacional e reduzir gradativamente um déficit comercial que se arrasta há mais de uma década. Esse movimento é resultado da competitividade de setores como alimentos, equipamentos médicos, máquinas, produtos industriais e também da retomada de mercados estratégicos, especialmente os Estados Unidos.
As exportações rio-pretenses para o mercado americano vêm apresentando uma evolução expressiva neste ano. Em janeiro, os Estados Unidos representavam 3,5% das exportações da cidade; em fevereiro, 7,3%; em março, 9,5%; em abril, 18%; e em maio, 19%. Tivemos crescimento de 95,4% entre março e abril e de 40% entre abril e maio. Após a retirada de barreiras tarifárias anteriormente impostas pelo governo norte-americano, segmentos como móveis, cosméticos e produtos pet voltaram a encontrar espaço naquele mercado, gerando novas oportunidades para empresas exportadoras da região.
No entanto, o cenário exige cautela. O anúncio de novas tarifas que poderão chegar a 37,5% sobre determinados produtos brasileiros a partir de julho pode representar um duro golpe para a expansão das exportações. Além disso, o acordo entre Mercosul e União Europeia, embora histórico, enfrenta novos obstáculos regulatórios.
A decisão europeia de restringir a importação de produtos de origem animal que utilizem determinados antimicrobianos pode afetar diretamente cadeias produtivas brasileiras e gerar impactos significativos sobre a balança comercial nacional. O momento exige articulação entre governo e setor produtivo para preservar mercados conquistados e garantir a competitividade das empresas brasileiras no comércio internacional.

