Após passar os primeiros sete anos de vida internada no Hospital da Criança e Maternidade (HCM) de Rio Preto, Maria Clara recebeu alta hospitalar nesta terça-feira, 2 de junho, em um momento marcado pela emoção da família e dos profissionais que acompanharam sua trajetória desde o nascimento.
Maria Clara nasceu com uma condição rara chamada atresia intestinal, uma malformação que impede o desenvolvimento adequado do intestino e compromete a absorção dos nutrientes necessários para o crescimento. Nos primeiros dias de vida, ela precisou passar por diversas cirurgias e, desde então, foi mantida com nutrição parenteral, recebendo alimentação diretamente pela veia para garantir sua sobrevivência e desenvolvimento.
Durante todo esse período, o hospital foi praticamente a única casa conhecida pela menina. As saídas eram raras e sempre acompanhadas pela equipe médica. Segundo a gastroenterologista pediátrica Mariana Napolitano, a evolução do quadro clínico permitiu que o intestino se desenvolvesse a ponto de funcionar de forma independente, tornando possível a tão aguardada alta hospitalar.
Para a mãe, Angélica Priscila de Oliveira, a conquista representa a realização de um sonho. Ela relembra que, durante anos, ouviu que a filha poderia passar a vida dentro do hospital. Agora, a expectativa é viver uma rotina familiar que parecia distante. “É uma emoção muito grande. Esperei por isso durante muito tempo. Hoje só tenho gratidão a Deus e aos profissionais que cuidaram da minha filha com tanto amor e dedicação”, afirmou.
A adaptação em casa será gradual. Como passou anos sem alimentação convencional, Maria Clara ainda apresenta resistência a algumas texturas e utiliza um leite especial que atende às suas necessidades nutricionais. A equipe médica, no entanto, acredita que a convivência diária com a família ajudará no processo de introdução alimentar e no desenvolvimento de hábitos comuns da infância.
A despedida também foi emocionante para os profissionais do HCM. Após anos de convivência, a equipe celebra a recuperação da paciente e a oportunidade de vê-la iniciar uma nova fase da vida. Agora, Maria Clara poderá frequentar a escola, brincar com as irmãs e viver experiências que até então faziam parte apenas dos planos e sonhos da família.

