O governo dos Estados Unidos afirmou que as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) mantêm atividades em 12 estados norte-americanos. A informação foi divulgada pelo portal de notícias da Folha de S. Paulo, com base em declarações da porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson.
Segundo o governo americano, os grupos são investigados por participação em tráfico de drogas, tráfico de pessoas, contrabando e movimentação de recursos financeiros ilícitos em território norte-americano. A administração de Donald Trump informou que a classificação das facções foi baseada em avaliações de segurança nacional e tem como objetivo ampliar mecanismos legais de combate às organizações.
A porta-voz destacou que a medida não prevê qualquer tipo de intervenção militar no Brasil e que se trata exclusivamente de um instrumento jurídico. Entre os efeitos imediatos estão o bloqueio de bens ligados às organizações nos Estados Unidos, restrições de vistos para integrantes, proibição de transações financeiras e criminalização do apoio material aos grupos.
A decisão foi anunciada dois dias após uma reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e autoridades americanas. O governo dos Estados Unidos, entretanto, declarou que a medida foi tomada de forma independente e sem relação com a disputa eleitoral brasileira de 2026.
O governo Lula reagiu oficialmente à classificação e criticou a iniciativa. Em nota, o Planalto afirmou que a medida pode afetar a cooperação entre os países, além de abrir espaço para interpretações relacionadas à soberania nacional. Também foram mencionados possíveis impactos econômicos, financeiros e logísticos, especialmente sobre operações internacionais e sistemas de pagamento brasileiros.
As autoridades americanas, por sua vez, afirmaram que a cooperação bilateral no combate ao narcotráfico continuará e destacaram que operações conjuntas realizadas recentemente resultaram na apreensão de mais de 17 toneladas de cocaína.

