A médica Merabe Muniz, presidente do Sindicato dos Médicos de São José do Rio Preto, afirmou que as críticas feitas pelo provedor da Santa Casa de Misericórdia de Casa Branca, William Vieira Lemos, durante sessão na Câmara Municipal daquela cidade, foram direcionadas a ela, mesmo sem citação nominal.
Durante o pronunciamento realizado na terça-feira (19), William criticou “uma pessoa que veio de fora de Rio Preto para fazer política desqualificada” e afirmou que opositores tentavam denegrir a imagem da Santa Casa e do município de Casa Branca. A declaração ocorreu durante defesa do convênio de R$ 11,9 milhões firmado entre a entidade e a Prefeitura de São José do Rio Preto, posteriormente anulado.
Na ocasião, o provedor também afirmou que a Santa Casa “não desistiu do convênio” e defendeu a legalidade do modelo utilizado para contratação de carretas de exames médicos.
Após a sessão, Merabe afirmou reconhecer que as declarações foram direcionadas a ela e respondeu às críticas.
“Sim, sabemos bem que se trata de mim. Mas me sinto honrada em ser atacada e estar incomodando esse tipo de pessoa, com uma vasta lista de envolvimento em contratos obscuros com ampla investigação de corrupção e desvio de verbas na saúde, como no caso de Hortolândia. Significa que estou cumprindo bem meu papel de diretora da Federação Nacional dos Médicos de ser guardiã das políticas em saúde”, declarou.
A médica afirmou ainda que está realizando levantamentos sobre empresas que teriam sido contratadas para execução dos serviços previstos no convênio.
“Adianto que estamos investigando o envolvimento de empresas particulares supostamente contratadas pela Santa Casa de Casa Branca para realização desses serviços, ligadas ao William Lemes, entre elas, Maplin Serviços e W5S Serviços. Realmente sou desqualificada para corrupção”, afirmou.
Merabe esteve em Casa Branca para buscar informações do convênio firmado entre a Prefeitura de Rio Preto e a Santa Casa daquela cidade.
O contrato previa a realização de aproximadamente 62 mil exames médicos por meio de carretas itinerantes e acabou cancelado pela administração rio-pretense após questionamentos sobre sua legalidade e execução. A Santa Casa passou a ter que devolver cerca de R$ 4,7 milhões recebidos antecipadamente.
Durante a sessão, William Vieira Lemos utilizou a tribuna após votação apertada dos vereadores, que decidiram permitir sua manifestação sem abertura para perguntas imediatas. Parte dos parlamentares defendia que o provedor fosse questionado sobre o convênio, a devolução dos recursos e a condução do contrato.
Ao final da fala, William afirmou que responderá questionamentos futuros apenas mediante requerimentos formais enviados pela Câmara Municipal de Casa Branca.

