Pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de S.Paulo mostra que o Supremo Tribunal Federal (STF) continua no pior patamar de avaliação da série histórica iniciada em 2019. Segundo o levantamento, 40% dos entrevistados consideram o trabalho da corte ruim ou péssimo. Outros 34% classificam a atuação dos ministros como regular, enquanto 22% avaliam o STF como ótimo ou bom.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas nos dias 12 e 13 de maio. A margem de erro é de dois pontos percentuais. A pesquisa foi realizada em meio às repercussões do caso Banco Master, que atingiu diretamente os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Toffoli deixou a relatoria do inquérito após a Polícia Federal identificar ligação de fundos ligados ao banco com uma empresa de sua família. Já Moraes enfrentou desgaste após a divulgação de mensagens trocadas com Daniel Vorcaro e informações sobre contratos envolvendo o escritório de sua esposa.
A pesquisa também aponta um cenário de divisão interna no STF. Segundo a reportagem, ministros como Flávio Dino, Gilmar Mendes, Moraes e Cristiano Zanin estariam em um grupo que cobra posicionamentos mais firmes do presidente da corte, Edson Fachin. Do outro lado também aparece a ministra Cármen Lúcia. O tribunal ainda enfrenta críticas relacionadas aos chamados “penduricalhos” salariais e à discussão sobre uma reforma do Judiciário.
Os dados mostram ainda forte divisão política na avaliação do Supremo. Entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 40% avaliam positivamente o STF e 16% negativamente. Já entre os que pretendem votar no senador Flávio Bolsonaro, apenas 8% aprovam o trabalho da corte, enquanto 64% fazem avaliação negativa. A reprovação também é maior entre homens, pessoas com ensino superior e entrevistados de renda mais alta.

