O ex-secretário de Esportes de Rio Preto, Cleber Kizumba, afirmou em depoimento ao Ministério Público nesta sexta-feira que a autorização para o uso da Cidade da Criança como estacionamento durante o show da banda Guns N’ Roses foi concedida com base em documentos apresentados pela representante da Associação Guasomaf de Guaraci, Efigênia Cristina. O promotor Carlos Romani falou para a Rádio CBN Grandes Lagos nesta segunda-feira (18).
Segundo as informações apuradas pelo Ministério Público, a entidade alegou que os valores arrecadados com o estacionamento seriam destinados a um projeto social voltado ao atendimento de 100 crianças em Rio Preto.
De acordo com o promotor Carlos Romani, o ex-secretário confirmou que autorizou o uso do espaço após análise interna feita pela própria secretaria, mesmo sem ter tido contato direto com a representante da associação.
“O secretário nada mais adiantou, disse que aquela documentação realmente existiu. Houve um pedido, ele avaliou junto com a assessoria dele da secretaria de que não haveria impedimento, e fez essa autorização”, afirmou Romani.
O promotor também disse que, segundo o depoimento, Kizumba pediu uma verificação técnica antes da liberação do espaço público.
“Ele se valeu dos pareceres lá da própria secretaria de que não havia nenhum impedimento. Ele pediu que fosse verificada a regularidade dessa autorização, se ela poderia ocorrer, e a assessoria lá da secretaria dele, da chefe de gabinete, informou que não haveria problemas”, declarou o promotor.
Durante o depoimento, Cleber Kizumba negou qualquer irregularidade e afirmou que não recebeu dinheiro nem transferências via Pix relacionadas à exploração do estacionamento.
O Ministério Público ainda pretende ouvir outras pessoas para esclarecer como a associação conseguiu autorização para atuar no evento e como ocorreu a movimentação financeira envolvendo os valores arrecadados.
Entre os nomes citados está José Luiz Pereira, ex-secretário de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal. Segundo Romani, ele ainda não foi oficialmente intimado porque a correspondência enviada pelos Correios não foi recebida. Uma nova data para o depoimento deve ser marcada.
De acordo com o promotor, José Luiz precisa esclarecer a participação dele no caso, já que há documentos que apontariam recebimento de valores da exploração do estacionamento e posterior repasse para a entidade.
“O importante seria que ele comparecesse aqui na promotoria voluntariamente. Se ele vier aqui, eu o ouço tranquilamente”, afirmou Romani.
O promotor acrescentou que existem registros documentais relacionados às transferências financeiras.
“Ele comprovadamente — não eu que estou dizendo, existe documentalmente isso — recebeu Pix da exploração do estacionamento, inclusive comprovadamente que ele encaminhou o valor desses Pix que ele recebeu para a entidade. Também tem essa comprovação documental”, disse.
Outra oitiva aguardada pelo Ministério Público é a da representante da associação, Efigênia Cristina. Segundo a promotoria, o depoimento está marcado para o próximo dia 20 de maio e deverá ser realizado por videoconferência.
A expectativa é que ela esclareça como soube da possibilidade de utilização do espaço e quem teria indicado a associação para atuar no estacionamento durante o evento.

