O prefeito de Rio Preto, Fábio Candido (PL), afirmou que pretende enfrentar a atual crise política da administração municipal “com tranquilidade, documentos e verdade”. A declaração foi dada em entrevista exclusiva concedida à jornalista Bia Menegildo, do portal Gazeta de Rio Preto, publicada nesta semana.
A entrevista ocorreu em meio ao maior desgaste político da gestão desde o início do mandato. O principal foco das investigações envolve o convênio de R$ 11,9 milhões firmado entre a Secretaria Municipal de Saúde e a Santa Casa de Casa Branca, posteriormente suspenso pela própria Prefeitura após questionamentos envolvendo pagamento antecipado e pareceres técnicos da Procuradoria-Geral do Município. O caso é alvo de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) na Câmara Municipal e também motivou pedidos de Comissão Processante contra o prefeito.
Durante a entrevista, Fábio Candido afirmou que a intenção da Prefeitura era reduzir a fila de exames na rede pública de saúde. Segundo ele, o processo administrativo estava sendo conduzido dentro dos trâmites legais até surgirem apontamentos que levaram à suspensão do contrato e ao início das tratativas para devolução dos recursos.
O prefeito também comentou o pagamento antecipado de R$ 4,7 milhões à Santa Casa de Casa Branca. De acordo com Candido, a Secretaria de Saúde informou que o valor fazia parte de uma previsão operacional necessária para estruturar o início dos atendimentos. Após os questionamentos públicos e jurídicos, a administração decidiu interromper o procedimento.
Na entrevista, Candido negou irregularidades envolvendo a compra de imóveis por ele e familiares. O prefeito afirmou que todo o patrimônio possui origem lícita, documentação regular e declaração no imposto de renda. Segundo ele, existe uma “narrativa política construída pela oposição” para desgastar sua imagem.
Ao comentar o ambiente político na Câmara Municipal, o prefeito afirmou manter relação institucional com os vereadores, mas criticou grupos que, segundo ele, estariam tentando “criar crise política” e “estagnar Rio Preto”. Candido associou parte das críticas ao ambiente de polarização ideológica nacional e afirmou que há motivação política nos pedidos apresentados contra sua gestão.
Fábio Candido também comentou as 24 mudanças realizadas no primeiro escalão em 17 meses de governo. Segundo ele, gestão pública exige alinhamento, resultado e capacidade de mudança quando determinadas áreas não atingem o desempenho esperado.
Sobre o secretário licenciado de Saúde, Rubem Bottas, o prefeito afirmou que qualquer definição sobre retorno ao cargo dependerá da conclusão da sindicância administrativa aberta pela Prefeitura.
Na área econômica, o prefeito defendeu os investimentos realizados no Carnaval 2026. Segundo ele, o evento movimentou hotéis, bares, restaurantes e comércio, além de gerar arrecadação de alimentos para ações sociais. Candido afirmou que o carnaval reuniu cerca de 148 mil pessoas e teve impacto econômico relevante para a cidade.
O prefeito também comentou a revisão da planta genérica do município, que provocou aumento no IPTU. Segundo ele, a discussão vinha sendo adiada há anos e ajustes ainda podem ser feitos para evitar distorções.
Ao final da entrevista, Candido afirmou que deseja deixar como legado uma gestão baseada em “honestidade, coragem e transformação”. Disse ainda que pretende recuperar a confiança da população por meio de obras, investimentos e entrega de resultados para a cidade.

