O Ministério Público de São Paulo arquivou a investigação que apurava uma suposta tentativa de cooptação política e utilização da estrutura da Prefeitura de Rio Preto para defesa do governo municipal nas redes sociais. A decisão foi assinada pelo promotor Carlos Romani na quinta-feira (14).
Segundo o Ministério Público, não foram encontradas provas suficientes de improbidade administrativa, prejuízo ao dinheiro público ou danos institucionais que justificassem a continuidade do procedimento.
A investigação teve início após representação apresentada pela conselheira tutelar Janaína Albuquerque contra Sandra Reis, então secretária municipal de Desenvolvimento Social. A denúncia relatava supostos episódios ocorridos em dezembro de 2025 envolvendo tentativa de cooptação política, pressão sobre agentes públicos e possível oferta de vantagens.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de áudios que mencionavam a criação de uma suposta “milícia digital” para atuar na internet em defesa do prefeito Fábio Cândido (PL).
Na decisão, o promotor apontou que as acusações permaneceram apenas no campo das falas e não se transformaram em atos administrativos concretos ou uso efetivo da máquina pública. O Ministério Público também considerou que a exoneração posterior de Sandra Reis eliminou qualquer risco de continuidade das condutas denunciadas.
Outro ponto citado foi o intervalo de aproximadamente 90 dias entre os fatos narrados e a formalização da denúncia, o que, segundo a Promotoria, dificultou a produção de provas robustas.
O MP destacou ainda que eventuais irregularidades teriam caráter individual e pessoal, sem relevância coletiva que justificasse atuação mais ampla na defesa da probidade administrativa.
O prefeito Fábio Cândido foi ouvido durante a investigação e negou qualquer participação ou conhecimento prévio sobre os fatos. Sandra Reis também negou assédio, pressão ou oferta de vantagens, afirmando que apenas comentou genericamente sobre possibilidade futura de cargo comissionado.
Após o arquivamento, Sandra Reis publicou vídeo nas redes sociais afirmando estar “de alma lavada” e criticando o que chamou de “recortes sensacionalistas” sobre o caso.
A decisão do Ministério Público ainda pode ser contestada. A denunciante tem prazo de dez dias para apresentar recurso.

