Conhecido pelo trabalho educacional com crianças e adolescentes, o Instituto Alarme passou a desenvolver uma nova ação voltada a outro público em Rio Preto. A instituição criou uma oficina de artesanato para mulheres aposentadas, com encontros semanais realizados às quartas-feiras, às 14h, em uma das salas do instituto.
Atualmente, a proposta reúne cerca de dez participantes. Durante os encontros, elas desenvolvem técnicas manuais como crochê, tricô, bordado, trabalhos em MDF e produção de peças para casa. Além do aprendizado e do aperfeiçoamento das habilidades, o objetivo do projeto é estimular a convivência, a troca de experiências e o fortalecimento da vida social na terceira idade.
A iniciativa foi idealizada pela presidente do Instituto Alarme, Creusa Manzalli, de 70 anos. Segundo ela, o projeto surgiu a partir da percepção de que muitas pessoas reduzem o convívio social depois da aposentadoria. Para Creusa, a oficina cria um espaço de encontro, conversa e pertencimento.
Com mais de 70 anos de atuação, o Instituto Alarme oferece ensino regular do 1º ao 9º ano, além de alimentação diária, atividades no contraturno escolar e acompanhamento psicossocial. As crianças permanecem em período integral na instituição, que atua no desenvolvimento educacional, social e humano dos estudantes.
A nova oficina segue a mesma lógica de cuidado que marca a trajetória da entidade. Embora o instituto seja reconhecido pelo trabalho com crianças e adolescentes, a ação amplia o olhar da instituição para outras fases da vida, valorizando também a convivência e o bem-estar de pessoas mais velhas.
A matéria-prima utilizada nas peças é adquirida pela própria presidente e pelas participantes do grupo, que contribuem com linhas, tecidos e outros materiais. Segundo a organização, mais do que o resultado final das peças, o encontro semanal tem se consolidado como um momento de aprendizado, partilha e fortalecimento de vínculos.

Para muitas das participantes, o artesanato também cumpre papel importante no bem-estar emocional. A aposentada e cirurgiã-dentista Elza Fernandes contou que sempre teve afinidade com trabalhos manuais e vê a atividade como uma forma de terapia. Segundo ela, o grupo possibilita reencontro com amigas, troca de ideias e aprendizado constante.

Outra participante, Maria Aparecida Lopes Constancio, de 75 anos, afirmou que começou a bordar há cerca de três décadas, em um momento delicado da vida. Ela relatou que enfrentava depressão quando foi convidada por uma amiga para aprender ponto cruz, e desde então nunca mais deixou a atividade. Para ela, fazer artesanato em grupo torna a experiência ainda melhor.
Creusa Manzalli afirmou que, além do aprendizado e da produção artesanal, os encontros se transformaram em momentos de convivência e apoio. Segundo ela, para muitas mulheres a oficina representa a possibilidade de manter a mente ativa, fortalecer vínculos e dar continuidade a saberes tradicionais transmitidos ao longo das gerações.

