O Hospital de Base de Rio Preto implantou o primeiro Centro de Manutenção de Órgãos do Brasil e realizou o primeiro transplante de fígado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) com o uso de uma máquina de perfusão hepática. A iniciativa é considerada um avanço importante para o sistema público de saúde e para pacientes que aguardam na fila por um órgão.

A nova estrutura foi viabilizada com a aquisição da máquina Liver Assist, desenvolvida pela empresa sueca XVivo, que permite manter o fígado em funcionamento fora do corpo por meio da circulação contínua de uma solução oxigenada, controlando temperatura, fluxo e oxigenação.
O primeiro transplante com a tecnologia foi realizado no último sábado, dia 28 de março, no paciente Rodolfo Aparecido Chicone, de 39 anos, analista de sistemas e morador de Araraquara. Ele permanece internado na UTI do hospital, em estado estável após o procedimento.
Durante o processo, o fígado permaneceu por 4 horas e 35 minutos na máquina de perfusão antes de ser transplantado. Entre a captação do órgão e o fim da cirurgia, o tempo total foi de quase 13 horas.
De acordo com o médico nefrologista Horácio José Ramalho, diretor executivo da Funfarme, a nova tecnologia representa um avanço importante no atendimento aos pacientes. “A incorporação da máquina de perfusão hepática marca um novo capítulo na história da nossa instituição, ao unir a excelência dos profissionais com tecnologia de ponta, beneficiando diretamente milhares de pacientes”, afirmou.
O diretor geral da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), professor Helencar Ignácio, também destacou o impacto da iniciativa. “Este avanço revela a capacidade da instituição de integrar formação, pesquisa e assistência em alto nível, com impacto direto na vida das pessoas”, declarou.
Segundo o médico nefrologista Mario Abbud Filho, diretor do Centro Integrado de Transplantes (Cintrans), o objetivo é ampliar o número de procedimentos. “Queremos oferecer melhores resultados clínicos e aumentar o número de transplantes, contribuindo para reduzir a fila de espera no país”, disse.
O cirurgião Renato Ferreira da Silva, responsável pela equipe que realizou o procedimento, explicou as vantagens da nova tecnologia em relação ao método tradicional. “Enquanto a técnica convencional no gelo limita o tempo de preservação do fígado entre 10 e 14 horas, a tecnologia permite estender esse período para até 24 horas, com condições muito mais próximas do ideal”, afirmou.
Ele também destacou que a máquina permite avaliar melhor o órgão antes do transplante. “A perfusão em máquina nos dá mais precisão para decidir sobre a viabilidade do órgão. Isso reduz riscos, melhora os resultados e aumenta o número de fígados que podem ser aproveitados”, explicou.
Além disso, a tecnologia reduz complicações após o transplante, já que o órgão continua recebendo oxigênio e permanece ativo durante o processo, diminuindo danos causados pelo resfriamento extremo do método tradicional.
O Hospital de Base integra o complexo da Funfarme, que já realizou mais de 5.800 transplantes desde 1990, incluindo procedimentos de fígado, rim, coração, pulmão, pâncreas e outros tecidos.
A instituição também se destaca na captação de órgãos, com índices acima da média estadual e nacional, além de elevado índice de aceitação das famílias para doação.
Com a criação do novo centro, a expectativa é ampliar o número de transplantes e beneficiar mais pacientes. Segundo especialistas, um único doador pode salvar até 10 pessoas com órgãos e beneficiar mais de 50 com tecidos.

