A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça de autorizar a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e mandados de busca da Polícia Federal gerou tensão com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
A ordem foi concedida sem parecer favorável do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O episódio causou desconforto entre integrantes da cúpula da PGR e revelou um descompasso público entre o ministro do STF e o chefe do Ministério Público Federal.
Na decisão, André Mendonça afirmou que lamentava o posicionamento da Procuradoria-Geral da República. Segundo o ministro, os relatórios da Polícia Federal apresentavam evidências suficientes e indicavam urgência para a adoção das medidas.
Integrantes da PGR afirmaram que os prazos estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal para análise dos documentos eram muito curtos. Segundo interlocutores do procurador-geral Paulo Gonet, o STF teria concedido entre 24 e 72 horas para avaliação de relatórios que somavam mais de 700 páginas cada.
Para a Procuradoria, esse prazo seria insuficiente para uma análise adequada do material apresentado pela Polícia Federal.
Outro ponto de divergência envolve a avaliação sobre a urgência da prisão preventiva de Daniel Vorcaro. Para a PGR, mensagens atribuídas ao investigado que mencionariam um plano contra o jornalista Lauro Jardim seriam de 2025, o que reduziria a caracterização de perigo iminente.
Já o ministro André Mendonça justificou a decisão afirmando que era necessário proteger a integridade física de cidadãos e considerar indícios de que o grupo investigado teria acessado indevidamente sistemas sigilosos da Polícia Federal, do Ministério Público e da Interpol.
A divergência entre STF e PGR pode ter impacto no andamento da investigação, já que cabe ao Ministério Público apresentar eventual denúncia formal à Justiça.

