O especialista em tecnologia Arthur Santini, de Rio Preto e associado da Apeti (Associação de Profissionais e Empresas de Tecnologia da Informação), afirmou que a inteligência artificial já começa a influenciar decisões em cenários de guerra.
Segundo ele, por muito tempo o debate público sobre inteligência artificial ficou restrito à preocupação com a perda de empregos. Para Santini, esse é apenas um dos pontos dentro de uma discussão muito maior.
“Por meses o debate público sobre IA ficou preso ao ‘vai tomar meu emprego?’. O tema é real, mas não é o único diante do que está em jogo quando modelos passam a apoiar decisões militares”, afirmou.
De acordo com o especialista, a inteligência artificial passou a ocupar papel estratégico em áreas de defesa e inteligência. Sistemas conseguem analisar grandes volumes de dados, priorizar informações e acelerar decisões em situações de conflito.
“Hoje a IA virou tecnologia de infraestrutura. Ela acelera análise, prioriza informações e encurta o caminho entre saber e agir. Em conflito armado, tempo é poder”, explicou.
Reportagens recentes de veículos internacionais apontaram o uso de sistemas de IA para auxiliar na análise de informações e na priorização de alvos em operações militares.
Em um dos casos citados, o modelo Claude, desenvolvido pela empresa Anthropic, teria sido utilizado para apoiar a análise de dados durante uma operação envolvendo o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. O veículo que divulgou a informação afirmou, porém, que não conseguiu confirmar o caso de forma independente.
Para Santini, a principal preocupação não é imaginar máquinas tomando decisões sozinhas, mas entender o impacto da velocidade das tecnologias.
“A discussão não é robô assassino. O que muda tudo é empurrar decisões humanas para a velocidade de máquina. É aí que erros, vieses e dados ambíguos podem ter consequências muito maiores”, disse.
Segundo ele, o tema também abriu um debate entre governos e empresas de tecnologia. Reportagens internacionais apontam que o Pentágono teria pressionado a Anthropic para retirar salvaguardas que impedem o uso da IA em armas totalmente autônomas e sistemas de vigilância em massa. A empresa teria recusado o pedido.
Para o especialista, a discussão deixou de ser apenas tecnológica e passou a envolver decisões políticas. “O cabo de guerra é claro: acelerar a adoção para manter liderança tecnológica ou impor limites éticos enquanto a IA ainda não é perfeita”, afirmou.

