O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ocupar o centro de uma disputa política que envolve a Corte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Senado. Uma eventual saída de Toffoli abriria espaço para que Lula indicasse um novo ministro mais alinhado ao governo. Ao mesmo tempo, o movimento poderia enfraquecer o Supremo e estimular novas pressões sobre a Corte. A informação é do portal de notícias do jornal Gazeta do Povo.
No Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), ainda não marcou a sabatina de Jorge Messias, indicado por Lula para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso. Nos bastidores, há interesse de aliados de Alcolumbre em indicar o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para o STF. Se uma nova vaga fosse aberta com a saída de Toffoli, Lula poderia acomodar os dois nomes.
A pressão sobre Toffoli aumentou após a Polícia Federal entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, um relatório de cerca de 200 páginas que cita possível ligação do ministro com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master. O documento foi entregue pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, indicado por Lula. O caso ganhou peso político dentro e fora do Supremo.
Reportagem do site Poder360 informou que, em reunião interna, o ministro Cristiano Zanin teria dito que votaria a favor de Toffoli e estaria “contra os interesses do Palácio do Planalto”. A fala reforçou a leitura de que há tensão entre governo e parte da Corte.
Especialistas ouvidos avaliam que a situação é complexa. O cientista político Ricardo de João Braga, doutor pela Universidade de Brasília (UnB), disse que Lula poderia ganhar força ao indicar um novo ministro, mas lembra que ministros do STF costumam ganhar autonomia com o tempo. A advogada Katia Magalhães afirmou que um eventual afastamento poderia gerar discurso de defesa da transparência e ter reflexo político em 2026.
Para Braga, um possível impeachment de ministro quebraria a tradição de blindagem no Supremo. Ele afirma que o Senado tem poder para isso, mas alerta que o cenário político atual é instável. Katia Magalhães diz que o controle institucional pode fortalecer a democracia, mas também traz riscos. Ambos apontam que o país vive um momento de disputa intensa entre os Poderes.

