Levantamentos do FGV-Ibre e do Ipea indicam que a proposta de reduzir a jornada semanal para 36 horas pode provocar uma retração de até 6,2% no Produto Interno Bruto (PIB), caso não haja aumento de produtividade. O cálculo considera o trabalho como um dos principais fatores de produção da economia. A informação é do portal de notícias do jornal Folha de S. Paulo.

em setembro, o emprego cresceu 0,5% na construção (4.059 vagas)
Os estudos mostram que o custo da hora trabalhada pode subir cerca de 22% para quem hoje cumpre jornada de 44 horas semanais. No mercado formal, regido pela CLT, o valor médio do trabalho teria alta de 17,6%. A avaliação é de que a mudança pressionaria especialmente setores intensivos em mão de obra.

Entre os mais afetados estariam transportes, com perda estimada de 14,2% no valor adicionado, indústria extrativa, com recuo de 12,6%, e comércio, que poderia registrar queda de 12,2%. O comércio é um dos maiores empregadores do país e opera com jornada média de 41 horas semanais. Já a administração pública teria impacto menor, de 1,7%, porque boa parte dos servidores já trabalha perto das 36 horas.
No campo político, a proposta ganhou força na Câmara dos Deputados. O presidente da Casa, Hugo Motta, encaminhou no dia 9 de fevereiro a PEC que trata do fim da escala 6×1 para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Ao mesmo tempo, o governo Luiz Inácio Lula da Silva avalia conduzir a mudança por meio de Projeto de Lei, considerado de tramitação mais simples do que uma proposta de emenda à Constituição.
Centrais sindicais e especialistas ligados ao Dieese defendem a redução da jornada. Argumentam que a medida pode combater a “superexploração”, estimular inovação, elevar a produtividade e ampliar o consumo com a contratação de mais trabalhadores. Para Clemente Ganz Lúcio, do Fórum das Centrais Sindicais, a transição direta de 44 para 36 horas é difícil, mas a meta imediata poderia ser 40 horas semanais, mantendo a escala 5×2.
Já críticos da proposta alertam para riscos. O sociólogo José Pastore afirma que pode haver aumento da rotatividade, com troca de funcionários mais experientes por trabalhadores mais baratos, além de repasse de custos aos preços finais, pressionando a inflação, principalmente no varejo.
As pequenas empresas aparecem como as mais vulneráveis. Dados indicam que 87,7% de seus empregados trabalham mais de 40 horas por semana, o que ampliaria o impacto financeiro da mudança. Outro desafio é a produtividade estagnada: fora a agropecuária, que cresce em média 6% ao ano, indústria e serviços acumulam décadas de desempenho fraco ou em queda, o que dificulta absorver os custos de uma jornada menor.

