Em meio a uma das maiores crises de imagem de sua história recente, o Supremo Tribunal Federal retomou os trabalhos regulares nesta semana com ministros empenhados em buscar apoio de outros poderes para conter o desgaste institucional. A situação se agravou nas últimas semanas com os desdobramentos do caso Banco Master. A informação é do portal de notícias da Gazeta do Povo.
Os sinais oficiais partiram do presidente da Corte, Edson Fachin, em dois discursos públicos: um na reabertura do ano judiciário, no próprio STF, e outro no Congresso Nacional, durante a sessão de retorno do recesso parlamentar. A palavra “diálogo” foi repetida diversas vezes, sempre associada à defesa das instituições e ao fortalecimento das relações entre os poderes.
No STF, Fachin destacou a necessidade de reconstruir a confiança pública e reafirmou o compromisso ético dos magistrados no exercício de suas funções. No Congresso, reforçou a ideia de que a democracia depende de instituições estáveis, previsíveis e respeitadas.
A aproximação com o Legislativo ocorreu em meio a encontros com os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta. Paralelamente, ministros também buscaram interlocução com o Executivo durante o recesso, em tentativa de conter a repercussão negativa que atinge a Corte.
Segundo apuração, integrantes da Polícia Federal e do Banco Central demonstram incômodo com a condução do inquérito do Banco Master pelo ministro Dias Toffoli. O desconforto teria contribuído para vazamentos de informações à imprensa, aumentando a pressão sobre o STF.
Durante a reabertura do Judiciário, o presidente da OAB, Beto Simonetti, criticou vazamentos seletivos e afirmou que defender o STF significa defender a Constituição e o equilíbrio entre os poderes.
Fachin reconheceu publicamente a crise de credibilidade e falou em “autocorreção” institucional, anunciando a ministra Cármen Lúcia como relatora do futuro código de ética do tribunal. O tema, no entanto, enfrenta resistência interna, especialmente entre ministros que avaliam que a medida pode ampliar o desgaste em ano eleitoral.
A atual crise envolve também o mercado financeiro, que teme interferências do STF na liquidação do Banco Master. Fontes ligadas às investigações indicam que novos fatos constrangedores ainda podem surgir, ampliando a tensão em torno da Corte.
