O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, avalia a possibilidade de desmembrar o inquérito que apura irregularidades envolvendo o Banco Master, encaminhando parte das investigações para a primeira instância da Justiça. A medida ganhou força após críticas públicas e questionamentos sobre a condução do caso no STF. A informação é da Gazeta do Povo.
A proposta em análise prevê que investigados sem foro privilegiado tenham seus processos remetidos à Justiça Federal em São Paulo, enquanto autoridades com prerrogativa de função permaneçam sob a responsabilidade do Supremo. Segundo apuração, o ministro Gilmar Mendes apoia esse encaminhamento como forma de reduzir o desgaste institucional da Corte.
Nos bastidores, investigadores afirmam que a organização das provas, documentos e depoimentos já aponta para uma divisão funcional do inquérito. A avaliação é de que o modelo preserva figuras politicamente sensíveis no STF, ao mesmo tempo em que transfere casos técnicos e operacionais à primeira instância.
Na semana passada, Toffoli prorrogou o inquérito por mais 60 dias, atendendo pedido da Polícia Federal. O prazo adicional permitirá ao ministro aguardar parecer da Procuradoria-Geral da República antes de qualquer decisão definitiva sobre o desmembramento.
Uma das preocupações centrais é evitar nulidades processuais. A defesa de investigados e críticas internas apontam desconforto com o direcionamento das apurações, o grau de sigilo imposto e a exigência de autorizações prévias para diligências.
Especialistas avaliam que, embora a estratégia tenha respaldo legal, seus efeitos práticos levantam dúvidas. Para juristas, manter os núcleos mais sensíveis no STF permite maior controle sobre o ritmo da investigação e a exposição pública dos envolvidos.
O caso chegou ao Supremo após a Polícia Federal apreender contratos envolvendo autoridades com foro privilegiado. A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro solicitou a remessa ao STF, e Toffoli afirmou ter sido escolhido relator por sorteio.

