O verão é sinônimo de férias, calor e diversão para as crianças, mas também é o período em que aumentam significativamente os casos de otite, principalmente a otite externa, conhecida popularmente como otite de piscina ou otite do nadador. O alerta é de especialistas da Otorrino Rio Preto, que observam crescimento na procura por atendimento nessa época do ano.
O problema está diretamente ligado ao contato frequente com água de piscinas, clubes e praias, aliado ao calor intenso e à umidade constante no canal auditivo. Esses fatores criam um ambiente ideal para a proliferação de bactérias e fungos, aumentando o risco de infecções no ouvido.
Segundo o otorrinolaringologista Maury de Oliveira Faria Jr., da Otorrino Rio Preto, a otite externa é uma infecção que atinge a pele do canal auditivo e costuma surgir após exposição prolongada à água. “A água fica retida no ouvido, altera a proteção natural da pele e facilita a entrada de microrganismos. O uso inadequado de cotonetes, que pode causar pequenos ferimentos, também aumenta muito o risco de infecção”, explica o médico.
A condição é ainda mais comum em crianças que praticam natação regularmente. Estudos apontam que crianças nadadoras podem ter até o dobro de chance de desenvolver otite, tanto externa quanto média. Para o otorrinolaringologista Rubens Huber, também da Otorrino Rio Preto, a qualidade da água é um fator decisivo. “Piscinas sem tratamento adequado concentram bactérias e outros agentes infecciosos. É importante que os pais fiquem atentos às condições dos locais onde as crianças nadam”, alerta.
Os sintomas da otite externa costumam aparecer rapidamente e causam bastante desconforto. Dor no ouvido é o sinal mais comum, podendo piorar ao tocar a orelha, mastigar ou até ao deitar no travesseiro. Também podem surgir vermelhidão, inchaço do canal auditivo, coceira intensa e sensação de ouvido tampado. Em quadros mais avançados, pode haver febre e saída de secreção, o que indica infecção mais grave.
“Quando a dor persiste, há febre ou saída de pus, é fundamental procurar atendimento médico. A automedicação pode mascarar os sintomas e agravar o quadro”, reforça Maury Faria Jr. Ele alerta ainda que receitas caseiras ou o reaproveitamento de medicamentos de episódios anteriores não devem ser utilizados.
É importante diferenciar a otite externa da otite média, outro tipo comum na infância. Enquanto a otite externa é mais frequente no verão e atinge o canal auditivo, a otite média ocorre atrás do tímpano e geralmente está associada a gripes, resfriados e infecções respiratórias, sendo mais comum no outono e no inverno. “Nas crianças, o canal que liga o nariz ao ouvido é mais curto e horizontal, o que facilita a propagação de infecções respiratórias para o ouvido médio”, explica Rubens Huber.
A prevenção passa por cuidados simples no dia a dia. Após banho, piscina ou mar, a recomendação é secar bem os ouvidos, inclinando a cabeça para os lados para que a água escorra naturalmente. A parte externa pode ser seca com toalha, mas nunca se deve introduzir cotonetes ou outros objetos no ouvido.
Para crianças que nadam com frequência, o uso de protetores auriculares pode ser indicado, sempre com orientação médica. Também é importante evitar piscinas de procedência duvidosa e suspender as atividades aquáticas caso a criança apresente dor ou desconforto nos ouvidos.
O tratamento da otite varia conforme o tipo e a gravidade da infecção. Na maioria dos casos de otite externa, são indicados analgésicos para controle da dor e antibióticos tópicos em forma de gotas. Em situações mais graves, pode ser necessário o uso de antibióticos por via oral. “Cada caso precisa ser avaliado individualmente. Quanto mais cedo o diagnóstico, mais simples e eficaz é o tratamento”, concluem os especialistas.

