Após 26 anos de negociações, o Mercosul e a União Europeia assinam neste sábado (17) um acordo de livre comércio que pode integrar um mercado de cerca de 720 milhões de pessoas.
A cerimônia acontece em Assunção, no Paraguai, país que ocupa a presidência temporária do Mercosul. O tratado foi aprovado pela maioria dos 27 países da União Europeia e marca o fim da fase de negociações técnicas e políticas iniciadas em 1999.
O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas para mais de 90% do comércio entre os blocos. A União Europeia vai retirar tarifas sobre 95% dos produtos do Mercosul em até 12 anos, enquanto o Mercosul zerará tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos.
Entre os setores mais beneficiados estão a indústria de máquinas, automóveis, produtos químicos e aeronaves. Produtos agrícolas sensíveis, como carne bovina e frango, terão cotas de importação, com mecanismos de proteção para evitar impactos bruscos sobre agricultores europeus.
O texto também inclui compromissos ambientais, exigindo que produtos não estejam ligados a desmatamento ilegal, além de regras rígidas sanitárias e cláusulas sobre comércio de serviços, investimentos, compras públicas e pequenas e médias empresas.
Após a assinatura, o acordo ainda precisará ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos dos países do Mercosul. A expectativa do governo brasileiro é que a parte comercial entre em vigor no segundo semestre de 2026, após a conclusão dos trâmites legais.

