A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (14), a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro. A ação cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro, além de determinar o sequestro e o bloqueio de bens e valores que somam mais de R$ 5,7 bilhões.
As apurações miram suspeitas de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. Segundo a PF, o objetivo é interromper a atuação do grupo investigado e recuperar ativos obtidos de forma irregular. As informações são da Agência Brasil e do portal de notícias do jornal Folha de S. Paulo.
No mesmo dia da operação, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas à Polícia Federal por não cumprir o prazo de 24 horas que ele havia fixado para a execução das medidas. Em despacho, Toffoli afirmou que houve falta de empenho no cumprimento das ordens judiciais e exigiu explicações do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também no prazo de 24 horas.
O ministro determinou ainda que todo o material apreendido fique guardado no STF, e não na PF, como ocorre normalmente. Segundo o gabinete, a medida busca preservar as provas, que serão submetidas a perícias pelas autoridades competentes.
As críticas constam da decisão que autorizou buscas em endereços ligados a Vorcaro, a prisão temporária do cunhado dele, Fabiano Zettel, e diligências relacionadas a empresários investigados no caso. Toffoli destacou que o atraso poderia ter permitido a descaracterização de provas relevantes.
Daniel Vorcaro foi preso em novembro do ano passado ao tentar embarcar para o exterior em um jatinho particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A prisão foi posteriormente relaxada, e ele cumpre atualmente prisão domiciliar. A PF também aponta que, antes da prisão, o empresário teria ao menos três planos de voo diferentes, o que reforça a suspeita de tentativa de fuga. A defesa nega e diz que ele viajava para tratar da venda do banco.
Em nota, os advogados de Vorcaro afirmaram que ele tem colaborado com as investigações e que todas as medidas judiciais estão sendo cumpridas com transparência. A defesa sustenta ainda que há interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento rápido do inquérito.
A investigação ganhou força após a primeira fase da operação, em novembro, quando também foi apurada a concessão de créditos considerados falsos, com fraudes que podem chegar a R$ 17 bilhões. Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central. Meses depois, a Justiça decretou a falência da instituição.
As investigações seguem em andamento, agora sob acompanhamento mais direto do STF, enquanto a Polícia Federal deve prestar esclarecimentos sobre o descumprimento do prazo determinado para a operação.

