Depois de mais de 20 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia avança para a fase final e começa a mudar as expectativas do comércio exterior brasileiro. O tratado envolve um mercado de cerca de 720 milhões de consumidores e quase 25% do PIB mundial.
Estudos do Ipea indicam que o Brasil tende a ser um dos principais beneficiados. A expectativa é de crescimento do Produto Interno Bruto nos próximos anos, com reflexos no agronegócio, na indústria e nos serviços de logística.
Para o consumidor, os efeitos devem aparecer aos poucos, principalmente na variedade de produtos e nos preços de itens importados, como vinhos, queijos, medicamentos, máquinas e equipamentos.
O acordo prevê a redução gradual das tarifas. No setor automotivo, por exemplo, o imposto de importação de 35% pode ser zerado em até 15 anos. Em outros segmentos, como alimentos e bebidas, os impactos podem ser sentidos em menos tempo.
Segundo Marcio Marcassa Jr., despachante aduaneiro e diretor da Rio Port, de Rio Preto, o tratado traz mais previsibilidade para importadores e exportadores. Para ele, regras mais claras e tarifas menores reduzem riscos e ajudam no planejamento das empresas.
O acordo também favorece a produção nacional, com a entrada de máquinas, fertilizantes e tecnologias a custos menores, o que pode aumentar a competitividade das empresas brasileiras.
No agronegócio, a expectativa é de aumento das exportações de carnes, frutas, etanol e produtos industrializados. Especialistas avaliam que possíveis impactos nos preços internos tendem a ser limitados.
Mesmo com efeitos graduais, o acordo UE–Mercosul é visto como um passo importante para um ciclo de crescimento mais estável da economia brasileira.
