A balança comercial de Rio Preto encerrou o ano de 2025 com déficit expressivo. De janeiro a dezembro, o município exportou US$ 68,1 milhões e importou US$ 172,8 milhões, o que resultou em um saldo negativo de US$ 104,7 milhões. Isso significa que Rio Preto comprou do exterior cerca de US$ 104,7 milhões a mais do que vendeu ao longo do ano.
Mesmo com o déficit, as exportações tiveram desempenho positivo. Em comparação com 2024, quando o município exportou US$ 51,9 milhões, houve aumento de 31,2% nas vendas externas em 2025. Já as importações recuaram levemente, com queda de 0,7% em relação ao ano anterior. A corrente de comércio, que soma exportações e importações, alcançou US$ 240,9 milhões, com crescimento de 6,7% na comparação anual.
Na comparação direta entre exportações e importações em 2025, fica claro o desequilíbrio: para cada dólar exportado, Rio Preto importou aproximadamente US$ 2,54. Esse padrão não é novo e se repete ao longo dos últimos anos.
Ao analisar a série histórica mais recente, entre 2016 e 2025, observa-se que as exportações de Rio Preto cresceram de forma gradual, com oscilações. Em 2016, o município exportava cerca de US$ 16,3 milhões. Esse valor passou para US$ 23,8 milhões em 2019, caiu em 2020, voltou a subir em 2021 e acelerou a partir de 2022, quando alcançou US$ 38,1 milhões. Em 2023, as exportações chegaram a US$ 45 milhões, saltaram para US$ 51,9 milhões em 2024 e atingiram US$ 68,1 milhões em 2025, o maior valor da série.
Importações
As importações, por outro lado, cresceram em ritmo mais forte. Em 2016, somavam US$ 72,5 milhões. Em 2019, já passavam de US$ 113 milhões. Em 2021, atingiram US$ 146,8 milhões, subiram para US$ 169,4 milhões em 2022, chegaram a US$ 173,1 milhões em 2023, US$ 173,9 milhões em 2024 e fecharam 2025 em US$ 172,8 milhões. O resultado é um déficit estrutural que se mantém ao longo da década.
Exportação
A pauta de exportações do município é diversificada, mas concentrada em poucos grupos de produtos. Em 2025, o principal item exportado foram miudezas comestíveis de origem animal, que responderam por 19,1% do total. Na sequência aparecem produtos de origem animal não especificados, com 15,9%, e preparações capilares, com 13,1%.
Também tiveram peso relevante as carroçarias para veículos automóveis, com 9,9%, além de reboques e semirreboques (5,8%), partes de veículos (4,7%), instrumentos médicos (3,6%) e artigos de higiene (2,1%). Esses dados mostram que Rio Preto exporta tanto produtos ligados ao agronegócio quanto itens industriais e do setor de saúde e higiene.
Os Estados Unidos foram o principal destino das exportações rio-pretenses em 2025, com 18,4% do total vendido. Em seguida aparecem Mianmar, com 13,0%, Chile, com 11,8%, e Paraguai, com 11,6%. Também se destacam Hong Kong (5,9%), Bolívia (5,4%), Espanha (3,9%), Portugal (3,5%), Alemanha (3,1%) e Argentina (3,1%).
O mapa das exportações mostra forte presença das Américas, mas também relações relevantes com países da Ásia e da Europa.
Do lado das importações, a pauta é fortemente concentrada em produtos industriais e tecnológicos. Os principais itens importados em 2025 foram aparelhos telefônicos e equipamentos de transmissão de voz e dados, que representaram 5,7% do total, e peixes frescos ou refrigerados, com 4,0%.
Também tiveram peso importante os circuitos integrados (4,3%), partes para aparelhos telefônicos (2,9%), máquinas automáticas para processamento de dados (2,8%), instrumentos médicos (2,9%) e diversas peças de reposição (2,0%). Esses dados indicam dependência externa principalmente de tecnologia, eletrônicos e insumos industriais.
A China foi, de longe, o principal fornecedor de Rio Preto em 2025, respondendo por 48,2% de tudo o que o município importou. Em segundo lugar aparece o Chile, com 23,0%, seguido pelos Estados Unidos (6,1%), Alemanha (5,7%), Rússia (3,0%), Itália (2,7%) e Vietnã (1,6%).
A forte dependência da China ajuda a explicar o alto volume de importações, especialmente de produtos eletrônicos, componentes industriais e equipamentos.
Resiliência

Segundo Paulo Narcizo, da Caribbean Express, a balança comercial de Rio Preto em 2025 revela um quadro claro de resiliência econômica. De acordo com ele, mesmo diante do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o município conseguiu ampliar suas exportações em 32% em relação a 2024. Para Narcizo, esse crescimento surpreende e confirma a capacidade de adaptação de produtores e empresários locais diante de um cenário internacional mais restritivo.
Paulo Narcizo destaca que um dos dados mais simbólicos desse desempenho é o fato de os Estados Unidos terem permanecido como o principal parceiro comercial de Rio Preto, mesmo com as barreiras tarifárias, absorvendo 18,4% das exportações do município. Segundo ele, esse resultado evidencia a qualidade e a competitividade dos produtos locais. Narcizo também observa que o avanço das exportações representa um ganho expressivo, já que o acréscimo obtido equivale, na prática, a cerca de três meses adicionais de vendas externas em comparação com o ano anterior.
Para ele, os principais produtos exportados por Rio Preto em 2025 foram miudezas de bovinos, responsáveis por 19% do total, seguidas por produtos de origem animal e para alimentação de pets, com 15,9%, preparações capilares, com 13,1%, e carroçarias para veículos, com 9,9%. Ele ressalta que, além dos Estados Unidos, os principais destinos das exportações rio-pretenses foram Mianmar, Chile, Paraguai, Hong Kong e Bolívia, o que demonstra uma pauta diversificada de mercados.
Narcizo aponta que a composição das compras externas revela forte dependência de insumos estratégicos, com destaque para peixes e filés de salmão, que representam cerca de 51% da balança comercial rio-pretense, seguidos por óleo de petróleo, máquinas e equipamentos agrícolas, instrumentos e aparelhos médicos, placas solares e bombas para líquidos.
De acordo com ele, os principais países de origem das importações foram Chile, com 48,2%, China, com 23%, Estados Unidos, com 6,1%, e Alemanha, com 5,7%. Para Paulo Narcizo, esse cenário aponta riscos de concentração, mas também oportunidades de diversificação, e deixa uma lição clara: barreiras externas não foram suficientes para frear um mercado que se reinventa.
Ele conclui que, para 2026, o desafio será ampliar ainda mais a presença internacional, com investimentos em tecnologia e eficiência produtiva, já que o potencial de crescimento em um ambiente de maior abertura comercial é ainda maior.

