A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão nesta sexta-feira na Câmara dos Deputados tendo como alvo a ex-assessora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que trabalhou para o deputado Arthur Lira quando ele presidiu a Casa. As ordens foram autorizadas pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A investigação apura o envio de orientações para liberar emendas do chamado “orçamento secreto”, prática que direcionava verbas públicas sem identificar o autor da indicação.
O caso começou após o depoimento de seis deputados e de uma servidora, que relataram que Tuca encaminhava ofícios determinando liberações de recursos, especialmente para Alagoas. A PF já havia quebrado o sigilo telemático da ex-assessora, mas pediu as buscas ao notar ausência de mensagens armazenadas, suspeitando ocultação de provas. Dino afirmou que há indícios de uma atuação “contínua e estruturada” na manipulação das emendas.
A decisão autorizou busca no gabinete por entender que ali poderia haver documentos físicos mantidos sem registro digital. O ministro também lembrou que o STF já proibiu práticas de orçamento secreto e determinou transparência total no uso das verbas. Deputados relataram ainda que decisões de grandes montantes eram feitas com simples anotações à mão, comparadas pelos investigadores a uma “conta de padaria”.

