A decisão sobre o futuro político da deputada Carla Zambelli (PL-SP) avançou rapidamente no Supremo Tribunal Federal. O ministro Alexandre de Moraes votou nesta sexta-feira pela perda imediata do mandato, e foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. Com isso, a Primeira Turma já formou maioria para confirmar a cassação.
Moraes anulou, na quinta-feira, a votação da Câmara dos Deputados que havia mantido Zambelli no cargo. Ele determinou que o presidente da Casa, Hugo Motta, emposse o suplente Adilson Barroso (PL-SP) em até 48 horas. Segundo o ministro, quando há condenação criminal definitiva, cabe ao Judiciário decretar a perda do mandato, restando ao Legislativo apenas formalizar o ato.
A Câmara havia rejeitado a cassação da deputada por 227 votos a 110, com 10 abstenções. O número necessário para a perda do mandato seria de 257 votos. Para o STF, porém, a condenação em regime fechado torna a cassação automática.
O caso ganhou ainda mais peso devido ao histórico judicial da parlamentar. Em julho, Zambelli foi presa em Roma ao tentar fugir do Brasil após ser condenada por invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça e emitir um mandado de prisão falso contra Moraes. A ação foi executada por Walter Delgatti, que afirmou ter agido a mando da deputada.
O governo brasileiro pediu a extradição da parlamentar em junho. Em agosto, ela recebeu nova condenação, desta vez por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, no episódio em que perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo, em 2022. A Justiça italiana deve decidir sobre a extradição no próximo dia 18.
Com a maioria já formada no STF, a cassação de Zambelli está praticamente confirmada, e a Câmara deverá apenas oficializar a saída da parlamentar.

