O Dia Internacional dos Direitos Humanos, celebrado em 10 de dezembro, reforça valores como igualdade, liberdade e dignidade. Mas, no Brasil, a data também chama atenção para um problema grave e persistente: a violência contra mulheres.
Dados recentes mostram a dimensão do desafio. Em 2024, as tentativas de feminicídio aumentaram 26% no país. Entre janeiro e setembro de 2025, mais de 2,7 mil mulheres sofreram tentativa desse crime e outras 1.075 foram mortas.
Em Rio Preto, o tema ganhou estrutura própria em agosto deste ano, quando o prefeito Coronel Fábio Candido criou a Secretaria de Direitos Humanos e da Cidadania. A pasta é comandada pelo professor e pesquisador Frederico Afonso Izidoro.
Em artigo publicado nesta terça-feira, o secretário ressalta que a data não deve ser apenas comemorativa. “O que celebram as mulheres que ainda precisam lutar para permanecer vivas?”, questiona.
Segundo ele, a maior parte das agressões acontece dentro de casa, cometidas por parceiros ou ex-parceiros. “As viaturas não patrulham os corredores da casa”, diz, lembrando que a violência doméstica exige resposta integrada entre segurança, saúde, assistência social e Justiça.
Izidoro afirma ainda que o enfrentamento não é uma responsabilidade apenas das mulheres. “A pergunta correta não é o que elas precisam fazer para não morrer, mas o que os homens precisam deixar de fazer para que elas possam viver.”
Ele cita o movimento Laço Branco, que surgiu após o massacre de Montreal, em 1989, quando 14 mulheres foram assassinadas por um homem, e que convoca os homens a participarem ativamente da prevenção da violência.
O secretário destaca que políticas públicas salvam vidas. Entre elas estão acolhimento qualificado, atendimento psicológico, delegacias especializadas e integração entre serviços. Também lembra que, embora o Brasil tenha leis importantes, como a Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio, ainda há desigualdade racial e social: as principais vítimas são mulheres negras e periféricas.
Segundo Izidoro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos deve servir como um alerta. “O horror que a DUDH tentou impedir hoje está presente no feminicídio cotidiano. A sociedade precisa deixar de tolerar essa realidade.”

