O uso da tecnologia como forma de participação popular começa a ganhar força no Brasil. Para o advogado e especialista em tecnologia Leon Fagiani, associado da Apeti, esse movimento marca uma mudança importante. Segundo ele, a sociedade entende que pode fiscalizar o poder público todos os dias, não apenas em época de eleição.
O país já tem histórico de participação digital. Em 2009, o Marco Civil da Internet recebeu mais de 800 contribuições em três meses de consulta pública. Outros países seguem caminho semelhante. A China, por exemplo, lançou um portal que permite consultar leis e regulações de maneira simples.
No Brasil, iniciativas independentes também estão surgindo. Uma delas é o site deolhoemvoce.com.br, criado pelo programador Cesar Augusto Rodrigues. A plataforma reúne dados oficiais sobre gastos do Congresso Nacional e transforma em painéis fáceis de entender. O usuário pode consultar despesas de parlamentares, viagens, combustíveis e valores de emendas.
Para Fagiani, essas ferramentas aproximam a política do que já acontece nas empresas privadas. Ele afirma que nenhuma organização toma decisões sem indicadores e que a política não pode continuar sendo acompanhada sem acesso a dados.
O especialista diz que a transparência melhora a cobrança por parte da população, pois as pessoas conseguem ver para onde vai o dinheiro público. Ele também destaca que a participação cidadã deve ser contínua. Dashboards públicos, consultas abertas e ferramentas de fiscalização podem fortalecer o engajamento ao longo de todo o ano.
Para Fagiani, essa nova fase representa um ponto de virada na relação entre sociedade e poder. Agora, segundo ele, a informação está disponível. O desafio é o quanto ela será usada por cada cidadão.

