Um estudo divulgado nesta semana revela que cerca de 4 milhões de pessoas vivem sob controle ou influência de grupos armados na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O número corresponde a 34,9% da população e 18,1% das áreas urbanizadas habitadas.
Os dados fazem parte do Mapa Histórico dos Grupos Armados, elaborado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (UFF) e pelo Instituto Fogo Cruzado. O levantamento mostra que, entre 2007 e 2024, o território dominado por facções e milícias cresceu mais de 130%, e a população afetada aumentou quase 60%.
Segundo os pesquisadores, o domínio armado deixou de ser um fenômeno isolado e passou a fazer parte da estrutura da cidade, ligado diretamente à fragilidade do Estado e às desigualdades sociais. O estudo diferencia áreas sob “controle”, onde há regras impostas e cobrança de recursos pelos grupos, e áreas sob “influência”, onde o domínio é parcial.
Em 2024, 14% da área urbanizada e quase 30% da população estavam sob controle direto de grupos armados. Outros 4% do território e 5% dos moradores viviam sob influência. Apesar de uma leve redução desde 2020, depois do enfraquecimento de milícias, o recuo ainda é pequeno diante da expansão registrada na década anterior.
O relatório identifica duas estratégias de expansão: a colonização de novos territórios, característica das milícias, e a conquista violenta de áreas já dominadas, mais comum entre facções. Essa última tem crescido, aumentando o número de confrontos e o medo nas regiões mais povoadas.
As milícias ainda lideram em extensão de área dominada, com 49,4% do território sob controle. Já o Comando Vermelho domina o maior número de pessoas, cerca de 1,6 milhão. Na capital, 31,6% da área urbanizada e 42,4% dos moradores vivem sob domínio armado, com destaque para a Zona Oeste, onde milícias continuam fortes, embora tenham perdido território nos últimos anos.
O estudo também relaciona a expansão do domínio armado às desigualdades. Nas áreas dominadas, a renda é menor e a presença de moradores não brancos é maior. Na capital, a diferença de renda chega a triplicar entre áreas controladas e áreas livres.
Segundo os autores, enfrentar o problema exige políticas públicas contínuas, que atuem não só na segurança, mas também na redução da desigualdade, na regulação urbana e no fortalecimento das instituições. Para eles, operações policiais isoladas não são suficientes para mudar a realidade de milhões de moradores que convivem diariamente com o medo e a violência.

