Casos recentes de violência extrema contra mulheres em São Paulo reforçam a gravidade do problema no país. No último sábado (29), uma mulher de 31 anos foi atropelada e arrastada por cerca de um quilômetro e teve as pernas amputadas. Dois dias depois, uma trabalhadora foi baleada por seu ex-companheiro dentro da pastelaria onde atuava.
A Polícia Civil classificou o atropelamento como tentativa de feminicídio, devido à brutalidade e à impossibilidade de defesa da vítima.
Para especialistas, a violência tem raízes profundas na desigualdade histórica entre homens e mulheres. A advogada Luciane Mezarobba afirma que é necessário agir tanto nas políticas públicas quanto dentro das famílias. Ela destaca a importância de creches, escolas integrais, políticas de proteção e o uso do Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero no Judiciário.
A psicóloga Maisa Guimarães lembra que a desigualdade foi reforçada por séculos nas instituições e leis brasileiras. Segundo ela, muitos agressores não aceitam que mulheres decidam sobre a própria vida.
Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que a capital paulista registrou 53 feminicídios entre janeiro e outubro, o maior número desde 2018. Em todo o estado, 207 mulheres foram mortas só neste ano.
Especialistas alertam que o feminicídio costuma ser o final de um ciclo de agressões. A Lei Maria da Penha define violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral como formas de agressão que podem escalar quando não há intervenção.
Segundo a UnB, apesar de avanços na identificação dos casos, o aumento indica agravamento da violência e resistência masculina à ampliação dos direitos das mulheres.

