Um estudo divulgado nesta terça-feira (2) mostra que apostas online e jogos de azar representam um prejuízo anual estimado em R$ 38,8 bilhões ao Brasil. Segundo os pesquisadores, esse valor inclui gastos com saúde, desemprego, depressão, suicídios, perda de moradia e outras consequências sociais.
A pesquisa, chamada A saúde dos brasileiros em jogo, foi produzida pelo Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), pela Umane e pela Frente Parlamentar Mista para Promoção da Saúde Mental. O levantamento alerta para o avanço rápido das plataformas de apostas no país.
Os dados mostram que, em seis meses, 17,7 milhões de pessoas fizeram algum tipo de aposta. Outra estimativa aponta que 12,8 milhões de brasileiros estão em situação de risco por causa do uso frequente das plataformas.
O estudo calcula que, do total de perdas, cerca de R$ 30,6 bilhões (quase 80%) estão ligados à saúde, com destaque para casos de depressão, ansiedade e risco de suicídio. Os pesquisadores alertam que o crescimento das bets ocorre sem políticas públicas fortes e com grande influência de campanhas publicitárias.
Outro ponto do estudo compara o prejuízo com o retorno financeiro do setor. Mesmo com a arrecadação estimada em R$ 12 bilhões para este ano, o valor é muito inferior ao impacto social calculado. Além disso, apenas 1% do que é arrecadado vai para o Ministério da Saúde.
A pesquisa também mostra que o setor gera poucos empregos formais. Hoje, são pouco mais de mil trabalhadores registrados, e a maioria atua de forma informal.
Entre as sugestões apresentadas estão aumentar a parcela dos impostos destinada à saúde, regular a publicidade, restringir o acesso de menores, criar regras mais rígidas para as empresas e melhorar o atendimento no SUS para quem sofre com vício em jogos.
Entidades que representam as empresas de apostas defendem que impostos muito altos podem fortalecer o mercado clandestino, que já soma mais da metade das operações no país.

