O candidato de extrema-direita José Antonio Kast pode tratar como prioridade, se vencer as eleições presidenciais do Chile em dezembro, a revogação das exceções atuais que permitem o aborto no país. O anúncio gerou apreensão entre grupos de direitos humanos e mulheres. Agência Brasil
Desde 2017, o aborto no Chile é permitido apenas em três casos: quando a gestação põe em risco a vida da mulher, quando há inviabilidade fetal grave ou em casos de estupro. Mas Kast se opõe até mesmo à pílula do dia seguinte e já disse que pretende reverter essas regras — o que representaria um retrocesso nos direitos reprodutivos alcançados nos últimos anos.
Para ativistas e organizações que defendem os direitos das mulheres, a vitória de Kast traria uma ameaça real ao acesso seguro ao aborto legal e aos métodos contraceptivos no Chile. Elas afirmam que há risco de cortes em programas de saúde reprodutiva ou restrições na oferta desses serviços públicos.
Especialistas também alertam que, se a lei for revertida ou o acesso dificultado, muitas mulheres poderão recorrer a procedimentos clandestinos ou emigrar para buscar atendimento em outros países — o que aumenta os riscos à saúde e à vida.
Com a disputa indo para o segundo turno das eleições presidenciais em 14 de dezembro, a questão dos direitos reprodutivos tornou-se uma pauta central para eleitores, movimentos sociais e entidades de saúde no Chile.

